Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
29 de junho de 2011
Morte
Ana.
Hoje falou-se da morte à mesa de almoço.
Falou-se que a morte nos transcende, e das experiências que vimos os outros viver.
Eu não falei. Falou-se, mas eu não falei.
Apenas falei para dentro e pensei em ti, nos meses que sofreste (sofreste anos, mas nos últimos meses sofreste seriamente, desmesuradamente, intensamente e sem descanso), na última noite em que te vi com vida, na forma como a noticia me foi dada, no sentimento de solidão que tomou conta de mim, da sensação de anestesia, de que nada estava a ser feito porque nada podia ser feito, que tudo estava agora certo estando tudo errado, que não ia sair dali contigo, que nunca mais te ia ver, que nunca mas te ia poder consolar, apoiar, acompanhar.
Lembrei-me de sentir isso tudo, ouvindo os outros falar da morte de um actor jovem, que morreu num acidente de automóvel esta semana, da forma como viram outras pessoas reagir à noticia da morte dos seus queridos e próximos, da inevitabilidade, incontornável, da morte.
Fez-me sentir mal este sentimento. Como que senti de novo o desrespeito pela tua memória. É um sentimento estúpido bem sei, mas por vezes sinto um aperto, como que um desgaste, porque ouço falar e penso..... eles nem imaginam o que estão a dizer, eles nem imaginam o que eu sei e vivi. E o que me faz sentir mal, é essa sensação de que a responsabilidade de eles não saberem é minha. Percebes? Faz-me pensar se estou a viver bem a minha vida. Am I living it right?
Calei-me.... a tempo. Não o tempo todo, mas calei-me. Como que a pensar que não queria estar ali, não queria que ninguém se lembrasse de mim. Calei-me e senti isso tudo e lutei contra isso. Mas não esqueci. Nem deixei de sentir. Am I living it right?
Beijo
Sapo
Hoje falou-se da morte à mesa de almoço.
Falou-se que a morte nos transcende, e das experiências que vimos os outros viver.
Eu não falei. Falou-se, mas eu não falei.
Apenas falei para dentro e pensei em ti, nos meses que sofreste (sofreste anos, mas nos últimos meses sofreste seriamente, desmesuradamente, intensamente e sem descanso), na última noite em que te vi com vida, na forma como a noticia me foi dada, no sentimento de solidão que tomou conta de mim, da sensação de anestesia, de que nada estava a ser feito porque nada podia ser feito, que tudo estava agora certo estando tudo errado, que não ia sair dali contigo, que nunca mais te ia ver, que nunca mas te ia poder consolar, apoiar, acompanhar.
Lembrei-me de sentir isso tudo, ouvindo os outros falar da morte de um actor jovem, que morreu num acidente de automóvel esta semana, da forma como viram outras pessoas reagir à noticia da morte dos seus queridos e próximos, da inevitabilidade, incontornável, da morte.
Fez-me sentir mal este sentimento. Como que senti de novo o desrespeito pela tua memória. É um sentimento estúpido bem sei, mas por vezes sinto um aperto, como que um desgaste, porque ouço falar e penso..... eles nem imaginam o que estão a dizer, eles nem imaginam o que eu sei e vivi. E o que me faz sentir mal, é essa sensação de que a responsabilidade de eles não saberem é minha. Percebes? Faz-me pensar se estou a viver bem a minha vida. Am I living it right?
Calei-me.... a tempo. Não o tempo todo, mas calei-me. Como que a pensar que não queria estar ali, não queria que ninguém se lembrasse de mim. Calei-me e senti isso tudo e lutei contra isso. Mas não esqueci. Nem deixei de sentir. Am I living it right?
Beijo
Sapo
26 de junho de 2011
Praia
Ana.
Hoje lembrei-me outra vez de ti através dele.
Lembrei-me de uma foto dele na praia. Sentado na toalha com os teus óculos escuros a segurar uma tartaruga de lego na mão. Todo ele gorducho. Todo ele redondinho, das mãos às bochechas.
Hoje voltámos à mesma praia.
Ele está gorducho na mesma :-) mas com corpo de rapaz. Está a crescer. Por vezes meio bebé, por vezes rapaz. Hoje pediu-me um balde para brincar na areia... eu disse... - trazemos para a próxima. Mais tarde fiquei a pensar, um balde? Um rapaz de baldinho na praia? Já não tem grande idade para isso...... mas está no meio talvez.... num meio entre bebé e rapaz, entre rapaz e homenzinho....
Voltámos à mesma praia de há uns 10 anos. E voltei a ter pena de não o poderes ver, de ele não saber de ti. Só posso imaginar como gostarias de o ver, e de o ter contigo........ ou não posso, não imagino porque não é possível.
Antes talvez. Que independentemente de tudo - da forma e do contexto, o pudesses ver como querias. A crescer.
Beijo. Sapo.
Hoje lembrei-me outra vez de ti através dele.
Lembrei-me de uma foto dele na praia. Sentado na toalha com os teus óculos escuros a segurar uma tartaruga de lego na mão. Todo ele gorducho. Todo ele redondinho, das mãos às bochechas.
Hoje voltámos à mesma praia.
Ele está gorducho na mesma :-) mas com corpo de rapaz. Está a crescer. Por vezes meio bebé, por vezes rapaz. Hoje pediu-me um balde para brincar na areia... eu disse... - trazemos para a próxima. Mais tarde fiquei a pensar, um balde? Um rapaz de baldinho na praia? Já não tem grande idade para isso...... mas está no meio talvez.... num meio entre bebé e rapaz, entre rapaz e homenzinho....
Voltámos à mesma praia de há uns 10 anos. E voltei a ter pena de não o poderes ver, de ele não saber de ti. Só posso imaginar como gostarias de o ver, e de o ter contigo........ ou não posso, não imagino porque não é possível.
Antes talvez. Que independentemente de tudo - da forma e do contexto, o pudesses ver como querias. A crescer.
Beijo. Sapo.
24 de junho de 2011
Coisas de que gostavas - 5º elemento - Os carros
Uma das cenas de que mais gostavas. Lembro-me que sonhavas com os carros voadores e imaginavas a cidade quando os carros forem assim. Gostavas de conduzir um, dizias :-)
Lembro-me de falares com ele sobre isso e de lhe provocares um fascínio pelos carros que podiam voar... - "Um dia quando fores grande....."
Lembro-me de falares com ele sobre isso e de lhe provocares um fascínio pelos carros que podiam voar... - "Um dia quando fores grande....."
22 de junho de 2011
Coisas de que gostavas - The 5th Element
Ana. Provavelmente o filme da nossa vida.
Concordavas certamente.
E sei que gostavas deste filme de uma forma especial Como eu aliás.....
Beijo. Sapo.
Concordavas certamente.
E sei que gostavas deste filme de uma forma especial Como eu aliás.....
Beijo. Sapo.
Coisas de que gostavas
Ana
Hoje tive uma epifania.
São coisas raras, há que aproveitar.
Registar as coisas de que gostavas (que eu sei que gostavas) assim como as que provavelmente gostarias (conhecendo-te e sabendo como sentias as coisas).
Isso pareceu-me servir um fim, de que já falei, e por isso, ser útil.
Beijo. Sapo.
Hoje tive uma epifania.
São coisas raras, há que aproveitar.
Registar as coisas de que gostavas (que eu sei que gostavas) assim como as que provavelmente gostarias (conhecendo-te e sabendo como sentias as coisas).
Isso pareceu-me servir um fim, de que já falei, e por isso, ser útil.
Beijo. Sapo.
21 de junho de 2011
Textos antigos - Need for speed - 16/02/2009
(Encontrei o texto em que falava de me abraçar a alguém do meu tamanho. Mais um texto antigo).
16/02/2009
16/02/2009
Need for speed – a necessidade de borrasca (queimada)
Acordo com vontade de me abraçar a alguém do meu tamanho. Não vejo ninguém nem quero ver ninguém. Não tenho ninguém a quem abraçar.
Desenvolvo uma crescente angustia por não falar com ninguém. Porque estou a precisar mas não quero dizer. Porque quero estar com as pessoas mas não as quero massacrar. Porque quero falar, mas só tenho um tema.
Saio de casa. Venho em stress. Choro. Quero chorar, não quero chorar.
Choro porque vejo uma velhinha no passeio e sinto a sua solidão. Porque me lembro da Ana. Choro porque ele precisa da Mãe. Porque o Randy Pausch diz coisas profundas. Porque me recordo da Ana. E de repente já não choro e parece que me sinto mal por não chorar.
Fico num nó cego. Um nó na garganta, ao ponto de ficar seca.
Não falo, não digo nada. A garganta fica seca ao ponto de gostar da sensação que dá.
Não quero estar onde estou, mas quero. Não quer ver ninguém, mas quero. Preciso de falar com alguém, mas não falo.
Depois de repente descolo. Faço um telefonema. Falo de trabalho…. E de repente descolo.
Preocupo-me com outra coisa. Leio qualquer coisa. Falo com alguém sobre um tema qualquer de merda. E descolo.
Acho que por vezes sinto uma necessidade de estar depressed. Preciso de me sentir em baixo, de sentir a morte da Ana. De me lembrar do sofrimento dela. Porque é justo, porque é necessário, porque é a única forma de estar. Não há outra.
A morte da Ana tomou conta de mim e da minha vida. E eu preciso disso, por muito que me custe.
20 de junho de 2011
Saudade
Ana
Tenho saudade.
Hoje essa saudade é tranquila e lenta como uma tarde de verão que se desfaz, sem vento, muito devagar. Mas já foi uma saudade feroz e dolorosa. Cheia de sentimentos antagónicos. Os sentimentos eram muitos, e por vezes agressivos, horríveis, por vezes estranhos, outras vezes claros, mas quase sempre angustiantes.
Hoje a saudade é lenta. Como que me habituei à angústia. Aprendi a viver com ela. Está lá, mas é lenta e fina como uma ligeira dor.
Lembro de olhar vezes sem conta para os papeis, de sofrer a olhar para eles, de pensar como fazer, por onde começar. Lembro-me de olhar novamente, e de voltar a eles mais tarde, como que à procura de uma segurança.
Lembro-me de um dia ter escrito que tinha saudades de me abraçar a uma pessoa do meu tamanho. De facto ele não conseguia esse papel, nem lho podia pedir. Com o tempo lá me fui habituando.
Mas lembro-me de ti, e isso faz-me saudades. Tranquilas agora. Mas nem sempre foi assim como já disse.
Também saudades das tardes de domingo no campo, no calor, na tranquilidade. a ver-te dormitar com ele no colo, bebé. Ver-te cuidar dele, e dizeres-me que o querias ver crescer.
Lembro-me muitas vezes dessa frase.
- Gostava de o ver crescer.
Lembro-me de ouvir isso e de te reconfortar. De te dizer o que podia e sabia. E de tentar acreditar que não ias morrer assim. Ainda hoje não acredito que morreste assim. Foi tanto tempo e foi tão rápido ao mesmo tempo.
Para onde foi isso? O que aconteceu a esse sentimento e vontade de o ver crescer? Como se pode isso perder, de tão genuíno?
Não percebo por mais que tente.
Saudade. Beijo. Sapo.
Tenho saudade.
Hoje essa saudade é tranquila e lenta como uma tarde de verão que se desfaz, sem vento, muito devagar. Mas já foi uma saudade feroz e dolorosa. Cheia de sentimentos antagónicos. Os sentimentos eram muitos, e por vezes agressivos, horríveis, por vezes estranhos, outras vezes claros, mas quase sempre angustiantes.
Hoje a saudade é lenta. Como que me habituei à angústia. Aprendi a viver com ela. Está lá, mas é lenta e fina como uma ligeira dor.
Tenho saudade. De ti. E sobretudo de nós.
Do conforto de estarmos juntos e podermos decidir as coisas em comum. Com o tempo lá me fui habituando a viver de forma diferente. Mas não ter ninguém a quem recorrer num momento de dúvida tardia, não foi fácil. O assumir da liderança em tudo. A necessidade de fazer o que nunca tinha feito.Lembro de olhar vezes sem conta para os papeis, de sofrer a olhar para eles, de pensar como fazer, por onde começar. Lembro-me de olhar novamente, e de voltar a eles mais tarde, como que à procura de uma segurança.
Lembro-me de um dia ter escrito que tinha saudades de me abraçar a uma pessoa do meu tamanho. De facto ele não conseguia esse papel, nem lho podia pedir. Com o tempo lá me fui habituando.
Mas lembro-me de ti, e isso faz-me saudades. Tranquilas agora. Mas nem sempre foi assim como já disse.
Também saudades das tardes de domingo no campo, no calor, na tranquilidade. a ver-te dormitar com ele no colo, bebé. Ver-te cuidar dele, e dizeres-me que o querias ver crescer.
Lembro-me muitas vezes dessa frase.
- Gostava de o ver crescer.
Lembro-me de ouvir isso e de te reconfortar. De te dizer o que podia e sabia. E de tentar acreditar que não ias morrer assim. Ainda hoje não acredito que morreste assim. Foi tanto tempo e foi tão rápido ao mesmo tempo.
Para onde foi isso? O que aconteceu a esse sentimento e vontade de o ver crescer? Como se pode isso perder, de tão genuíno?
Não percebo por mais que tente.
Saudade. Beijo. Sapo.
Memória de elefante
- Pai.eu tenho memória de elefante. (Ouviu-me dizer...)
- E tu sabes o que é isso ?
- Sei sim. O elefante tem um cérebro gigante, porque é muito grande.
- E tu sabes o que é isso ?
- Sei sim. O elefante tem um cérebro gigante, porque é muito grande.
19 de junho de 2011
Um homem
Hoje no Colombo;
Eu (tenho insistido com ele para usar desodorizante....)
- .... deves usar porque já vai fazendo muito sentido.
- E deves usar porque toda a gente usa, eu uso, é assim mesmo.
- E é para usar todos os dias, não é só de vez em quando.....
Resposta;
- Ok Pai, está bem, já sei. Eu vou começar a usar sempre.
- Começo a usar, e fico um homem!
Eu (tenho insistido com ele para usar desodorizante....)
- .... deves usar porque já vai fazendo muito sentido.
- E deves usar porque toda a gente usa, eu uso, é assim mesmo.
- E é para usar todos os dias, não é só de vez em quando.....
Resposta;
- Ok Pai, está bem, já sei. Eu vou começar a usar sempre.
- Começo a usar, e fico um homem!
Datas
Algumas datas vão passando. Umas com mais significado do que outras, outras desconhecidas excepto para nós dois. É mesmo assim eu acho.
Recentemente ele fez anos, e no dia de anos, na festa de anos, pensei diversas vezes como as coisas seriam diferentes contigo aqui. Como reagirias, o que farias diferente, o que te iria agradar e zangar :-)
Acho que para ele seria significativamente diferente, sem que no entanto o soubesse.
Acho que hoje, lida bem com a ausência da Mãe. Com pena, com saudade, com vontade sobretudo de que as coisas fossem diferentes, pelo menos em comparação com os outros, o que é natural.
Foram 16 meninos à festa, e só foram três Pais, e dois deles foram com as Mães. De resto são as Mães que estão presentes, que dão a cara, que fazem o frete que encorajam os miúdos.
Se tu estivesses cá seria assim também. Tenho a certeza. Porque seria natural, e para mim muito mais confortável.... como é para os restantes Pais. É curiosa essa arrumação das tarefas sociais. As Mães com os fretes, com as relações públicas.
Ele não tem isso. Para ele é diferente de facto. Mas será que nota com tanta frequência como eu penso?
É natural que toda a gente queira saber da Mãe. Mas ou toda a gente sabe, o que é provável, ou uns sabem e dizem aos outros, mas ninguém pergunta.........
Penso nisso também, mas o que mais me ocupa a cabeça é pensar como seria contigo ali. Gostarias? Farias diferente? O que querias de diferente? Não tenho respostas ou tenho poucas.
Se pudesse pedir só uma coisa, no meio disto, seria saber que do teu ponto de vista o que fiz, foi bem feito. Era essa a tranquilidade que precisava. E é nestes momentos que fico com vontade de sentir o silêncio, de me esconder, de garantir que me esquecem, e de dormir até passar este sentimento.
Recentemente ele fez anos, e no dia de anos, na festa de anos, pensei diversas vezes como as coisas seriam diferentes contigo aqui. Como reagirias, o que farias diferente, o que te iria agradar e zangar :-)
Acho que para ele seria significativamente diferente, sem que no entanto o soubesse.
Acho que hoje, lida bem com a ausência da Mãe. Com pena, com saudade, com vontade sobretudo de que as coisas fossem diferentes, pelo menos em comparação com os outros, o que é natural.
Foram 16 meninos à festa, e só foram três Pais, e dois deles foram com as Mães. De resto são as Mães que estão presentes, que dão a cara, que fazem o frete que encorajam os miúdos.
Se tu estivesses cá seria assim também. Tenho a certeza. Porque seria natural, e para mim muito mais confortável.... como é para os restantes Pais. É curiosa essa arrumação das tarefas sociais. As Mães com os fretes, com as relações públicas.
Ele não tem isso. Para ele é diferente de facto. Mas será que nota com tanta frequência como eu penso?
É natural que toda a gente queira saber da Mãe. Mas ou toda a gente sabe, o que é provável, ou uns sabem e dizem aos outros, mas ninguém pergunta.........
Penso nisso também, mas o que mais me ocupa a cabeça é pensar como seria contigo ali. Gostarias? Farias diferente? O que querias de diferente? Não tenho respostas ou tenho poucas.
Se pudesse pedir só uma coisa, no meio disto, seria saber que do teu ponto de vista o que fiz, foi bem feito. Era essa a tranquilidade que precisava. E é nestes momentos que fico com vontade de sentir o silêncio, de me esconder, de garantir que me esquecem, e de dormir até passar este sentimento.
17 de junho de 2011
Luto
Ana
Hoje falaram-me do luto como "sendo assim"..... e eu achei curioso.
Não entendi como uma crítica, ou algo que me era dirigido, e por isso não me senti mal com a descrição de que "o luto é assim".
O que achei curioso, foi o que eu pensei sobre isso que me disseram sobre outra pessoa.
Ou seja.
Eu pensei - eu sei o que é o luto!
Pensei também - tu sabes que eu sei o que é o luto, porque me estás a dizer isso?
Depois ainda tive outro sentimento. Pensei..... É assim que me vês. Sem a noção de que eu sei o que é o luto........ a imagem que tens de mim é essa.... e pensei também - será que isso é bom? Será que isso é mau?
Será que isso significa que não transpareci, nem transpareço o que foi, e é, o meu luto?
Será que isso quer dizer que o meu luto não foi correcto? Que projecto uma imagem desligada, não sentida, do luto de ti?
Fez-me tudo isto pensar e sentir. Mas, sabes, não me senti mal comigo. Apenas pensei. Não senti que esteja mal, na vida, contigo, com o passado, ou com o meu luto por ti.
É assim. É o que é. Nem bom nem mau..... gosto de pensar nisto tudo, mas estou seguro do que senti e sinto.
Beijo. Sapo.
Hoje falaram-me do luto como "sendo assim"..... e eu achei curioso.
Não entendi como uma crítica, ou algo que me era dirigido, e por isso não me senti mal com a descrição de que "o luto é assim".
O que achei curioso, foi o que eu pensei sobre isso que me disseram sobre outra pessoa.
Ou seja.
Eu pensei - eu sei o que é o luto!
Pensei também - tu sabes que eu sei o que é o luto, porque me estás a dizer isso?
Depois ainda tive outro sentimento. Pensei..... É assim que me vês. Sem a noção de que eu sei o que é o luto........ a imagem que tens de mim é essa.... e pensei também - será que isso é bom? Será que isso é mau?
Será que isso significa que não transpareci, nem transpareço o que foi, e é, o meu luto?
Será que isso quer dizer que o meu luto não foi correcto? Que projecto uma imagem desligada, não sentida, do luto de ti?
Fez-me tudo isto pensar e sentir. Mas, sabes, não me senti mal comigo. Apenas pensei. Não senti que esteja mal, na vida, contigo, com o passado, ou com o meu luto por ti.
É assim. É o que é. Nem bom nem mau..... gosto de pensar nisto tudo, mas estou seguro do que senti e sinto.
Beijo. Sapo.
14 de junho de 2011
Hoje tinhas gostado
Ana
Hoje tinhas gostado de o ver.
Envolvido no ténis. Com prazer, deliciado. Sempre um pouco nas nuvens como é muito o seu estilo, sempre um pouco na dele, sempre um pouco alheado, desligado, mas a curtir com aquela naturalidade que lhe é tão própria.
Tinhas gostado de o ver, no fim do treino, cansado, bonito. E feliz, pareceu-me.
Beijo.
Sapo
Hoje tinhas gostado de o ver.
Envolvido no ténis. Com prazer, deliciado. Sempre um pouco nas nuvens como é muito o seu estilo, sempre um pouco na dele, sempre um pouco alheado, desligado, mas a curtir com aquela naturalidade que lhe é tão própria.
Tinhas gostado de o ver, no fim do treino, cansado, bonito. E feliz, pareceu-me.
Beijo.
Sapo
12 de junho de 2011
Textos antigos - Memória - 02/02/2009
02/02/2009
Memória
A memória esgotou-se. Foi este fim-de-semana. A morte da Ana foi esquecida por toda a gente. O que resta da sua imagem, dos seus passos, as suas impressões digitais, deixadas nas coisas que usava, nos computadores, nas plantas de casa, as suas coisas pessoais, tudo isso vai-se esgotando lentamente.
Mas a memória dela, a memória do que passou, do que sofreu, essa memória esgotou-se. As pessoas riem-se e divertem-se alheadas. Passou, esqueceram. A Ana morreu e já não está aqui ao meu lado. E eu tenho tantas saudades dela.
E custa-me tanto estar assim, pensar mal dos outros, mas não posso deixar de pensar que estão a ser injustos, estão a ser maus, estão a esquecer uma das pessoas que era importante, que me amou, que cuidou de mim.
Faz toda a gente de conta que já passou tudo, que não aconteceu nada. Falam comigo como se nada fosse. Eu falo com elas como se nada fosse. Sou um cobarde, um falso, um insensível vazio. Sou um hipócrita, sou um fraco. Deixo que me falem assim como se nada fosse e como se tudo estivesse bem. Faço de conta, digo que sim, rio-me. Devia ser proibido rir assim. Que falta de respeito. Que horror.
Sempre que falam assim comigo devia gritar-lhes que a Ana morreu. Devia bater-lhes, devia dizer-lhes para terem respeito pela memória dela. Não me ligam, não sabem nada de mim, não se lembram da Ana. Não me respeitam, e eu deixo que não me respeitem.
Preciso de tirar tempo. Preciso de me encontrar. Preciso de me fechar num sítio escuro e chorar, até redimir este meu comportamento. Preciso de sentir que estou triste pela morte da Ana, que a respeito, que a desejo, que tenho saudades dela.
Preciso de fazer as pazes com ela. Preciso de falar com ela e de lhe pedir desculpa.
Preciso dela. Preciso de ti Ana. Meu amor.
10 de junho de 2011
Outras razões
Voltando ao que é isto........ de facto é um tema que me persegue.
Um misto de diário, e de conversas contigo, de memórias de ti,
De registo de ti, para ele ver e lembrar mais tarde. De registo para o futuro, com a esperança de poder vir a ser útil de alguma forma, mesmo que agora não evidente.
Falar contigo sem sequer acreditar que aqui estejas, sem alimentar algo de absurdo, sem me prender.
E talvez só agora precisamente por isso. Porque tenho a certeza que não me vou limitar ou prender.
No fundo, eu acho, estou a escrever um diário que tem como pano de fundo o que nós vivemos juntos. É fácil escrever para ti. Mais fácil do que escrever no ar. E mais razoável do que debitar sem nexo e sem propósito um conjunto de coisas.
No fundo espero que um dia ele goste de vir aqui, ler o que o Pai escreveu, as memórias que o Pai guardou. Do tempo com a Mãe, do tempo com ele, do nosso curto tempo a três.
Vês Ana. Tu és assim uma espécie de ajuda para que eu escreva.
Espero que seja bom.
Um misto de diário, e de conversas contigo, de memórias de ti,
De registo de ti, para ele ver e lembrar mais tarde. De registo para o futuro, com a esperança de poder vir a ser útil de alguma forma, mesmo que agora não evidente.
Falar contigo sem sequer acreditar que aqui estejas, sem alimentar algo de absurdo, sem me prender.
E talvez só agora precisamente por isso. Porque tenho a certeza que não me vou limitar ou prender.
No fundo, eu acho, estou a escrever um diário que tem como pano de fundo o que nós vivemos juntos. É fácil escrever para ti. Mais fácil do que escrever no ar. E mais razoável do que debitar sem nexo e sem propósito um conjunto de coisas.
No fundo espero que um dia ele goste de vir aqui, ler o que o Pai escreveu, as memórias que o Pai guardou. Do tempo com a Mãe, do tempo com ele, do nosso curto tempo a três.
Vês Ana. Tu és assim uma espécie de ajuda para que eu escreva.
Espero que seja bom.
8 de junho de 2011
Textos antigos - 1999 - 02/03/2009
02/03/2009
1999
Em 1999, numa pastelaria na Avenida que sobe do Marquês para o Rato. Estava a Ana grávida, sabíamos há uns dias. Fomos ao médico.
Ela já lá estava na pastelaria, eu fui lá ter.
Cheguei, apreensivo. Sem saber o que pensar. Com o peso da história nos meus ombros. Com discursos ensaiados, com confusões totais de sentimentos.
Cheguei, falámos. Acho que lhe perguntei se tinha a certeza de que estava grávida. Ela riu-se. Perguntei-lhe se íamos ter aquele bebé. Disse-me que sim, com aquele ar determinado e decidido. Ela contra o mundo….. Eu decido e quero que tu te lixes. Eu conhecia essa expressão.
Olhei para ela e disse-lhe que eu também o queria, que não ia ser só dela. Que ia ser dos dois. Rimo-nos com os nervos.
Peguei-lhe na mão - Vamos lá então olhar para dentro dessa barriga. Vamos ver se é um pilas ou se é uma….. “não-pilas”. Ela riu-se, apertou-me a mão. E disse-me; vais ser um Pai espectacular!
Textos antigos
Ana
Tenho alguns textos antigos, quando o blogue era só uma ideia muito vaga e inconstante, e eu escrevia mas não aqui. Vou escolher os que gosto mesmo, e ctrl-v. Mesmo como estão, com todas as falhas, mas também com toda a sinceridade da altura em que foram escritos.
Beijo Sapo
Sonho
Sonhei contigo esta noite. Não acontecia há muito tempo.
Estavas a dormir num dos cadeirões amarelos, ao lado da cama, embrulhada num saco-cama como tantas vezes fazias. Cheia de frio como era hábito.
Mas estavas bem. Sonho sempre contigo bem, sem a voz arrastada, sem a cara marcada, sem dor sem sofrimento. Sabe sempre muito bem ver-te assim. Sei que sou eu que te imagino assim, mas imagino sempre bem, e isso deve ter um significado. Talvez seja esse, simples.
Estavas tranquila embrulhada no saco-cama, e perguntaste qualquer coisa com voz de sono.
Depois acordei.
Estavas a dormir num dos cadeirões amarelos, ao lado da cama, embrulhada num saco-cama como tantas vezes fazias. Cheia de frio como era hábito.
Mas estavas bem. Sonho sempre contigo bem, sem a voz arrastada, sem a cara marcada, sem dor sem sofrimento. Sabe sempre muito bem ver-te assim. Sei que sou eu que te imagino assim, mas imagino sempre bem, e isso deve ter um significado. Talvez seja esse, simples.
Estavas tranquila embrulhada no saco-cama, e perguntaste qualquer coisa com voz de sono.
Depois acordei.
7 de junho de 2011
Perceber
“People will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel.”
- Maya Angelou
- Maya Angelou
Boa noite
À noite, ao deitar, com ele já na cama, festas e beijos entregues, desejos de boa noite.
Invariavelmente diz ele para mim;
- Pai, vais já dormir ? - Não.
- Vais trabalhar ? - Não.
- Então, vais ler ? - Sim.....
E hoje;
Invariavelmente diz ele para mim;
- Pai, vais já dormir ? - Não.
- Vais trabalhar ? - Não.
- Então, vais ler ? - Sim.....
E hoje;
- Pai, vais já dormir ?- Não.
- Vais ler ? - Sim vou ler.....
- Humm.... quantas páginas ?
Tentar Perceber II
Ana
Bem. Desligando o complicómetro, procurando não pensar muito nos objectivos, propósitos, vantagens, alcance, significado, razões, estupidez e irrelevância de tudo isto...... (prontos... já está, já desabafei...).... vamos avançando e logo se vê.
Sem stresses, ou como tu me dizias por vezes - Relax Max!
Beijo Sapo
Bem. Desligando o complicómetro, procurando não pensar muito nos objectivos, propósitos, vantagens, alcance, significado, razões, estupidez e irrelevância de tudo isto...... (prontos... já está, já desabafei...).... vamos avançando e logo se vê.
Sem stresses, ou como tu me dizias por vezes - Relax Max!
Beijo Sapo
6 de junho de 2011
Hoje
Ana
Isto hoje não está a correr bem. Já nem sei para que é isto. Qual o verdadeiro propósito.
Vou esperar por melhores ideias.
Um beijo. Sapo.
Isto hoje não está a correr bem. Já nem sei para que é isto. Qual o verdadeiro propósito.
Vou esperar por melhores ideias.
Um beijo. Sapo.
5 de junho de 2011
Honestidade
Ana
É uma das razões.
Não sei se é a melhor palavra, mas passo a explicar. Esta necessidade de sentir que estou a ser honesto é crescente em mim. De há algum tempo para cá é mesmo sufocante, uma pressão, um desgaste.
Sinto-me desonesto para com a tua memória, para com o que vivemos juntos, para contigo. Sinto-me desonesto com ele. Com a vida, com toda a gente que me rodeia sem excepção. De onde vem isto ?
Durante um tempo depois de partires, fiquei sem perceber bem o que fazer, como reagir como viver. Refugiei-me como podia num mundo só meu, feito de rituais e ciclos, de hábitos e conforto. Rotinas semanais sem grandes surpresas nem riscos. Foi nessa altura que pensei mais em escrever desta forma. Não escrevi. Resolvi isso de outra forma, mais uma vez, menos arriscada, menos exposta.
Depois passou tempo. Muito tempo. Por outras razões. E um sentimento crescente foi-se apoderando de mim. Porque será? Desonesto eu? De onde vem?
Não temo ser julgado. Não acredito que se voltasses aqui me julgasses mal e não me perdoasses alguma coisa em particular.
Posso não ter sido perfeito. Não fui! Não sou.....
Posso não ter tido todas as atitudes correctas. Não tive! Não tenho.....
Mas tu sabes que eu tenho um orgulho. Uma tranquilidade em relação a tudo. Um conforto certo. Uma certeza. Estive contigo, e só contigo, até ao fim.
Só mesmo, no sentido de sozinho.
E assim.... de onde vem este sentimento? Mais uma coisa para explorar, para tentar entender.
Talvez resulte de olhar para trás e não achar que tenha feito tudo o que podia para te recordar, para deixar a tua memória registada. Talvez apenas porque não me sinto bem comigo.
Mas uma coisa é certa. Sinto-me bem contigo. Com a tua memória. Com o que deixaste te ti em mim.
Tenho-me lembrado
...das férias no Alentejo.
Porquê? Não sei.
Porque foram boas. Únicas. Porque estavas bem. Estávamos bem.
Tiraste esta foto das ovelhas à sombra. Disseste que gostavas de dormir assim na sombra..... ou não disseste, eu achei que disseste..... era o tipo de coisa que dirias.....
Foi bom. Obrigado.
Beijo. Sapo.
Porquê? Não sei.
Porque foram boas. Únicas. Porque estavas bem. Estávamos bem.
Tiraste esta foto das ovelhas à sombra. Disseste que gostavas de dormir assim na sombra..... ou não disseste, eu achei que disseste..... era o tipo de coisa que dirias.....
Foi bom. Obrigado.
Beijo. Sapo.
Mais razões
Outra das razões, talvez a mais importante, talvez o maior impulso, foi pensar que um dia ele pode vir aqui ter, ou eu posso ter a coragem de lhe dizer que pode vir aqui ter.
E pode ser que ele veja aqui algo que eu me esqueci de contar, que perceba algo que não tenha ficado claro, que aprenda alguma coisa. Que lhe seja útil para a vida. Sei que estou a pedir muito. Talvez esteja a ser demasiado ambicioso..... demasiado sonhador..... demasiado parvo.
Mas esta ideia de que o que eu escrever aqui, não se perde. Fica algures. Ao contrário do papel, que desorganizadamente desaparece no turbilhão das desarrumações cá de casa.
Esta ideia de que se não escrever vou inevitavelmente esquecer, e que isso é uma pena. Para ele, por ti, por o mereceres....
E que antes que esqueça tudo, gostava de deixar alguma coisa aqui, que lhe pode ser útil. Talvez tenha sido o maior impulso, a maior razão.
Já escrevi muito como sabes. Escrevi muito por múltiplas razões, e sempre me fez bem. Pode ser que assim consiga os dois objectivos. Escrever. E escrever para ele.
Também me ocorreu muitas muitas vezes que podia escrever para ti. E escrevi para ti. No papel. Mas a verdade é que embora não tenha posto essa ideia completamente de parte, não a consigo alimentar. É como se uma barreira existisse.
Gostava na verdade, gostava profundamente, que pudesses ler isto. Que algures onde estás, pudesses ler e sentisses e acompanhasses esta partilha com ele. Mas na verdade não consigo acreditar nisso por mais que me tranquilizasse e gostasse.
Há uma parte de mim que gostava que fosse assim ---- fácil. Mas a tua ausência, o teu desaparecimento, é muito mais forte e duro, e isso sim, sei que nunca vou perceber.
E pode ser que ele veja aqui algo que eu me esqueci de contar, que perceba algo que não tenha ficado claro, que aprenda alguma coisa. Que lhe seja útil para a vida. Sei que estou a pedir muito. Talvez esteja a ser demasiado ambicioso..... demasiado sonhador..... demasiado parvo.
Mas esta ideia de que o que eu escrever aqui, não se perde. Fica algures. Ao contrário do papel, que desorganizadamente desaparece no turbilhão das desarrumações cá de casa.
Esta ideia de que se não escrever vou inevitavelmente esquecer, e que isso é uma pena. Para ele, por ti, por o mereceres....
E que antes que esqueça tudo, gostava de deixar alguma coisa aqui, que lhe pode ser útil. Talvez tenha sido o maior impulso, a maior razão.
Já escrevi muito como sabes. Escrevi muito por múltiplas razões, e sempre me fez bem. Pode ser que assim consiga os dois objectivos. Escrever. E escrever para ele.
Também me ocorreu muitas muitas vezes que podia escrever para ti. E escrevi para ti. No papel. Mas a verdade é que embora não tenha posto essa ideia completamente de parte, não a consigo alimentar. É como se uma barreira existisse.
Gostava na verdade, gostava profundamente, que pudesses ler isto. Que algures onde estás, pudesses ler e sentisses e acompanhasses esta partilha com ele. Mas na verdade não consigo acreditar nisso por mais que me tranquilizasse e gostasse.
Há uma parte de mim que gostava que fosse assim ---- fácil. Mas a tua ausência, o teu desaparecimento, é muito mais forte e duro, e isso sim, sei que nunca vou perceber.
Happiness
Ana
Talvez esta seja outra das razões.
As coisas que encontro, com que me cruzo, que me fazem pensar em ti.
Não que eu soubesse isto antes. Ou tivesse o discernimento na altura para o entender e aceitar. Mas mais porque agora, com o passar do tempo, as coisas são diferentes. São mais claras. Estou mais velho. Vejo algo assim e penso que sei o que é. Sei o que quer dizer, e mais.... concordo.
Beijo. Sapo.
Talvez esta seja outra das razões.
As coisas que encontro, com que me cruzo, que me fazem pensar em ti.
Não que eu soubesse isto antes. Ou tivesse o discernimento na altura para o entender e aceitar. Mas mais porque agora, com o passar do tempo, as coisas são diferentes. São mais claras. Estou mais velho. Vejo algo assim e penso que sei o que é. Sei o que quer dizer, e mais.... concordo.
Beijo. Sapo.
Razões
Uma coisa é clara para mim. A intenção estava lá. Há muito tempo.
Pensei nisso e até escrevi sobre isso. Pensei nisso por exemplo no dia em que verdadeiramente te disse adeus, sentado no Magnólia depois de um café. sozinho numa mesa a chorar, sem querer saber de quem me via, ou de quem reparava em mim. Chorei sem parar. de saudade, de confusão, de ansiedade, a dizer mais uma vez que te queria ali, ao meu lado, a comer um queque daqueles que gostavas. Chorei sem parar e senti-me melhor no fim, como tantas outras vezes.
E só muito tempo depois, como tudo acontece comigo, percebi que naquele dia te disse verdadeiramente adeus.
E escrevi sobre isso. Eis uma das razões.
Pensei nisso e até escrevi sobre isso. Pensei nisso por exemplo no dia em que verdadeiramente te disse adeus, sentado no Magnólia depois de um café. sozinho numa mesa a chorar, sem querer saber de quem me via, ou de quem reparava em mim. Chorei sem parar. de saudade, de confusão, de ansiedade, a dizer mais uma vez que te queria ali, ao meu lado, a comer um queque daqueles que gostavas. Chorei sem parar e senti-me melhor no fim, como tantas outras vezes.
E só muito tempo depois, como tudo acontece comigo, percebi que naquele dia te disse verdadeiramente adeus.
E escrevi sobre isso. Eis uma das razões.
4 de junho de 2011
Porquê?
Ainda sobre o Tentar Perceber.
Pensei inúmeras vezes fazer isto. Escrever sobre ti, para ti, para mim, para me apaziguar, para me tranquilizar, para procurar entender, tentar perceber... lá está.
E ainda assim demorei dois anos e meio para começar.
Porquê ?
Porque como tudo na minha vida, demora tempo a entrar. Porque a maior parte das vezes pensava que de nada serviria, que era absurdo, que tinha outras razões por detrás que não eram explicitas e tinham que ver com o meu ego. Que não valia a pena, porque há alturas em que acho que nada vale a pena. Sempre achei. É um defeito meu.
E assim passei dois anos e meio. Sinto que verdadeiramente à deriva. Entre o tentar esquecer, o tentar "continuar" (uma expressão linda que me cansei de ouvir e já ignoro automaticamente), entre as memórias e as lágrimas. Entre a saudade e a serenidade de saber que já não sofres mais. Passaram dois anos e meio.
Porquê agora?.... olha não sei. Mas vou procurar perceber isso também.
Isso e as razões. O porquê, e o porquê agora. Vou tentar perceber.
Pensei inúmeras vezes fazer isto. Escrever sobre ti, para ti, para mim, para me apaziguar, para me tranquilizar, para procurar entender, tentar perceber... lá está.
E ainda assim demorei dois anos e meio para começar.
Porquê ?
Porque como tudo na minha vida, demora tempo a entrar. Porque a maior parte das vezes pensava que de nada serviria, que era absurdo, que tinha outras razões por detrás que não eram explicitas e tinham que ver com o meu ego. Que não valia a pena, porque há alturas em que acho que nada vale a pena. Sempre achei. É um defeito meu.
E assim passei dois anos e meio. Sinto que verdadeiramente à deriva. Entre o tentar esquecer, o tentar "continuar" (uma expressão linda que me cansei de ouvir e já ignoro automaticamente), entre as memórias e as lágrimas. Entre a saudade e a serenidade de saber que já não sofres mais. Passaram dois anos e meio.
Porquê agora?.... olha não sei. Mas vou procurar perceber isso também.
Isso e as razões. O porquê, e o porquê agora. Vou tentar perceber.
Tentar Perceber
Ana
Fartei-me de pensar no nome do blog. Queria dizer alguma coisa com sentido, coerente.
Queimei um tempo com isso e depois escrevi algo que digo com frequência, e acho já dizia há muito tempo.
Quero tentar perceber.
É isso... ou é parte disso. Não sei se vou conseguir. Mas vou tentar.
Beijo. Sapo.
Fartei-me de pensar no nome do blog. Queria dizer alguma coisa com sentido, coerente.
Queimei um tempo com isso e depois escrevi algo que digo com frequência, e acho já dizia há muito tempo.
Quero tentar perceber.
É isso... ou é parte disso. Não sei se vou conseguir. Mas vou tentar.
Beijo. Sapo.
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