5 de junho de 2011

Honestidade

Ana
É uma das razões.
Não sei se é a melhor palavra, mas passo a explicar. Esta necessidade de sentir que estou a ser honesto é crescente em mim. De há algum tempo para cá é mesmo sufocante, uma pressão, um desgaste.
Sinto-me desonesto para com a tua memória, para com o que vivemos juntos, para contigo. Sinto-me desonesto com ele. Com a vida, com toda a gente que me rodeia sem excepção. De onde vem isto ?
Durante um tempo depois de partires, fiquei sem perceber bem o que fazer, como reagir como viver. Refugiei-me como podia num mundo só meu, feito de rituais e ciclos, de hábitos e conforto. Rotinas semanais sem grandes surpresas nem riscos. Foi nessa altura que pensei mais em escrever desta forma. Não escrevi. Resolvi isso de outra forma, mais uma vez, menos arriscada, menos exposta.

Depois passou tempo. Muito tempo. Por outras razões. E um sentimento crescente foi-se apoderando de mim. Porque será? Desonesto eu? De onde vem?

Não temo ser julgado. Não acredito que se voltasses aqui me julgasses mal e não me perdoasses alguma coisa em particular.
Posso não ter sido perfeito. Não fui! Não sou.....
Posso não ter tido todas as atitudes correctas. Não tive! Não tenho.....
Mas tu sabes que eu tenho um orgulho. Uma tranquilidade em relação a tudo. Um conforto certo. Uma certeza. Estive contigo, e só contigo, até ao fim.
Só mesmo, no sentido de sozinho.

E assim.... de onde vem este sentimento? Mais uma coisa para explorar, para tentar entender.
Talvez resulte de olhar para trás e não achar que tenha feito tudo o que podia para te recordar, para deixar a tua memória registada. Talvez apenas porque não me sinto bem comigo.
Mas uma coisa é certa. Sinto-me bem contigo. Com a tua memória. Com o que deixaste te ti em mim.

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