Outra das razões, talvez a mais importante, talvez o maior impulso, foi pensar que um dia ele pode vir aqui ter, ou eu posso ter a coragem de lhe dizer que pode vir aqui ter.
E pode ser que ele veja aqui algo que eu me esqueci de contar, que perceba algo que não tenha ficado claro, que aprenda alguma coisa. Que lhe seja útil para a vida. Sei que estou a pedir muito. Talvez esteja a ser demasiado ambicioso..... demasiado sonhador..... demasiado parvo.
Mas esta ideia de que o que eu escrever aqui, não se perde. Fica algures. Ao contrário do papel, que desorganizadamente desaparece no turbilhão das desarrumações cá de casa.
Esta ideia de que se não escrever vou inevitavelmente esquecer, e que isso é uma pena. Para ele, por ti, por o mereceres....
E que antes que esqueça tudo, gostava de deixar alguma coisa aqui, que lhe pode ser útil. Talvez tenha sido o maior impulso, a maior razão.
Já escrevi muito como sabes. Escrevi muito por múltiplas razões, e sempre me fez bem. Pode ser que assim consiga os dois objectivos. Escrever. E escrever para ele.
Também me ocorreu muitas muitas vezes que podia escrever para ti. E escrevi para ti. No papel. Mas a verdade é que embora não tenha posto essa ideia completamente de parte, não a consigo alimentar. É como se uma barreira existisse.
Gostava na verdade, gostava profundamente, que pudesses ler isto. Que algures onde estás, pudesses ler e sentisses e acompanhasses esta partilha com ele. Mas na verdade não consigo acreditar nisso por mais que me tranquilizasse e gostasse.
Há uma parte de mim que gostava que fosse assim ---- fácil. Mas a tua ausência, o teu desaparecimento, é muito mais forte e duro, e isso sim, sei que nunca vou perceber.
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