(Encontrei o texto em que falava de me abraçar a alguém do meu tamanho. Mais um texto antigo).
16/02/2009
16/02/2009
Need for speed – a necessidade de borrasca (queimada)
Acordo com vontade de me abraçar a alguém do meu tamanho. Não vejo ninguém nem quero ver ninguém. Não tenho ninguém a quem abraçar.
Desenvolvo uma crescente angustia por não falar com ninguém. Porque estou a precisar mas não quero dizer. Porque quero estar com as pessoas mas não as quero massacrar. Porque quero falar, mas só tenho um tema.
Saio de casa. Venho em stress. Choro. Quero chorar, não quero chorar.
Choro porque vejo uma velhinha no passeio e sinto a sua solidão. Porque me lembro da Ana. Choro porque ele precisa da Mãe. Porque o Randy Pausch diz coisas profundas. Porque me recordo da Ana. E de repente já não choro e parece que me sinto mal por não chorar.
Fico num nó cego. Um nó na garganta, ao ponto de ficar seca.
Não falo, não digo nada. A garganta fica seca ao ponto de gostar da sensação que dá.
Não quero estar onde estou, mas quero. Não quer ver ninguém, mas quero. Preciso de falar com alguém, mas não falo.
Depois de repente descolo. Faço um telefonema. Falo de trabalho…. E de repente descolo.
Preocupo-me com outra coisa. Leio qualquer coisa. Falo com alguém sobre um tema qualquer de merda. E descolo.
Acho que por vezes sinto uma necessidade de estar depressed. Preciso de me sentir em baixo, de sentir a morte da Ana. De me lembrar do sofrimento dela. Porque é justo, porque é necessário, porque é a única forma de estar. Não há outra.
A morte da Ana tomou conta de mim e da minha vida. E eu preciso disso, por muito que me custe.
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