Tenho passado por momentos difíceis no trabalho. Muita pressão, muito desgaste, alguma incorrecção, prepotência e arrogância, e sobretudo uma dificuldade em me identificar com um estilo e uma forma de trabalhar que não é a minha.
Um ambiente muito cansativo, que dá origem a muita revolta, irritação e desconforto.
Um ambiente que às tantas me faz questionar o meu próprio valor, o meu próprio sentido, a minha coragem, a minha determinação, o meu lugar..........................
Hoje de novo.
Mas hoje, lembrei-me de algo que por vezes me passava pela cabeça. Talvez sem na altura me dizer o que diz agora, sem que eu percebesse o que eu queria dizer a mim próprio.
Tudo o que me acontece de desagradável, de revoltante, de enervante, não é nada.
Não sou mais que ninguém.
Não sou ninguém.
Mas há uma coisa que eu sei. Eu sei que olhei para ti quando tu estavas a morrer. Sei que olhei para o teu rosto desgastado pelo sofrimento, para o teu olho cego, para a tua boca semi-aberta de cansaço, de uma respiração curta e ofegante, sei que me lembro das tuas frases, do teu último pedido. O teu último pedido que ainda hoje é amargo e triste...
Sei o que chorei por isso tudo. O que sofri por isso tudo.
E nada. Absolutamente nada do que me fazem ou podem fazer agora no trabalho, se compara alguma vez com isso. O que me fazem não é nada. Nada.
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