14 de agosto de 2011

Beijo

Perdido. É como me sinto às vezes.
E isso faz-me lembrar de outros tempos, não muito distantes, em que apesar de estares doente, apesar de estar contigo e isso não ser fácil nem simples, pela nossa maneira de ser, pela nossa dinâmica, pela nossa conjuntura, pelo esforço que por vezes representava....... apesar de não ser fácil, dizia, eu tinha algo. Tinha uma sensação de pertencer, de estar bem. Tinha muitas vezes a sensação de - "pois mas eu tenho a Ana".
Sempre fui teu. Mesmo quando nos zangávamos. Sempre fui teu e senti que eras minha. Éramos um casal, apesar das diferenças e dificuldades. Éramos um grupo e fazíamos coisas de um grupo. Vivíamos e sentíamos as coisas.
Éramos uma família. Acho que é isso que quero dizer.
E agora não.
E apesar de tentar, de me esforçar por equilibrar, por descontrair e por desligar, sinto que falta algo.
Já não está lá a minha Ana. A minha amante. A minha companheira. O meu suporte e conforto. E isso às vezes desgasta e cansa. Como que se me faltasse uma parte de mim.
Não que viva todos os dias desgastado com a tua ausência. Isso com o tempo mudou. Lembro-me de ti, sim, todos os dias, é provável. Mas não com dor ou sofrimento. Apenas com a mesma sensação que perdura de não conseguir perceber porque teve de ser assim.......
Esta noite senti-me perdido. Sozinho. E embora tenha a tua memória, gostava de por vezes conseguir descansar. E não consigo. É como se uma trave de ferro me caísse em cima todos os dias ao acordar e me limitasse os passos. Me cortasse as ideias. Me chamasse à terra a perguntar... porquê?
Para onde foi tudo. Porquê?
Essa parte, do conforto. Desapareceu.
Ficou contigo, desgastada com o teu sofrimento. E eu que não quero mal a ninguém.... só quero paz. E pelos visto não consigo por mais que tente. Queria perceber. Isso sim gostava, de conseguir perceber.
Não sei se me ouves. Se haverá sobre isso maneira. O que queria era dizer que apesar dos erros estive aqui, e que me lembro do teu sentimento sobre isso. Lembro-me tambem do teu conforto. Do teu colo. Da tua presença e do que de bom isso me fazia.
Beijo.

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