Hoje, no meio dos trabalhos de casa e das invenções com motores e ventoinhas......
- Pai. Ainda bem que há fita-cola!
Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
28 de setembro de 2011
Objectivo
O objectivo ultimo deste blog, seria o de deixar uma memória o mais fiel e rica possível. Para que ele no futuro tenha onde reler algumas das memórias da Mãe, algumas de que lhe vou falando, outras de que se pode aperceber ou deduzir. Por isso também como um depósito do que o Pai sente, pensa, faz, e vive com ele no dia a dia.
A ideia seria que mais tarde ele venha cá e releia, como eu reli o diário do meu Pai.
No meio de todos aqueles registos houve algo de positivo, que me tranquilizou depois da sua morte. A sensação de que alguma coisa que não tinha sido falada estava lá, e tinha sido sentida por ele. E isso foi muito bom.
A ideia seria que mais tarde ele venha cá e releia, como eu reli o diário do meu Pai.
No meio de todos aqueles registos houve algo de positivo, que me tranquilizou depois da sua morte. A sensação de que alguma coisa que não tinha sido falada estava lá, e tinha sido sentida por ele. E isso foi muito bom.
Este objectivo já foi por mim pensado várias vezes. Talvez até já tenha sido escrito. mas por alguma razão não estou em paz com ele.
Queria que fosse positivo, tenho receio que por vezes seja sombrio.
Queria que fosse interessante para ele ler no futuro, com memórias válidas e úteis, e penso que se perde muitas vezes num conjunto de sentimentos pessoais e profundos, anteriores, desconexos da realidade que motivo a criação do blog.
Queria também que fosse lido. E ainda não encontrei formula para garantir que um dia, mais tarde, ele vai ter acesso. De preferência depois de eu morrer e entrar finalmente num processo de paz completo, como aconteceu comigo e com os diários do meu Pai, dos quais sabia a existência mas nunca lia. Por respeito e distância.
Queria que fosse positivo, tenho receio que por vezes seja sombrio.
Queria que fosse interessante para ele ler no futuro, com memórias válidas e úteis, e penso que se perde muitas vezes num conjunto de sentimentos pessoais e profundos, anteriores, desconexos da realidade que motivo a criação do blog.
Queria também que fosse lido. E ainda não encontrei formula para garantir que um dia, mais tarde, ele vai ter acesso. De preferência depois de eu morrer e entrar finalmente num processo de paz completo, como aconteceu comigo e com os diários do meu Pai, dos quais sabia a existência mas nunca lia. Por respeito e distância.
26 de setembro de 2011
Fotos
Fotografias tuas antigas, das mãos da tua Mãe para mim e para ele. Guardadas com interesse por ele. Tu a andar de triciclo no cimento em frente da casa.
Algumas das fotos apresentavam-te quase como te conheci, como me lembro de ti quando te conheci. Magrinha, doce, bonita. Muito bonita. Com os olhos doces a pele macia. A recordação dos primeiros beijos.
Uma das fotos contigo e ele no teu colo. Belos os dois. Outra nossa, numa casa que não identifiquei, os três apertadinhos num abraço só possível num casal com um bebé de meses. Saudade. Beijo.
Algumas das fotos apresentavam-te quase como te conheci, como me lembro de ti quando te conheci. Magrinha, doce, bonita. Muito bonita. Com os olhos doces a pele macia. A recordação dos primeiros beijos.
Uma das fotos contigo e ele no teu colo. Belos os dois. Outra nossa, numa casa que não identifiquei, os três apertadinhos num abraço só possível num casal com um bebé de meses. Saudade. Beijo.
21 de setembro de 2011
20 de setembro de 2011
Mais adeus
Continuo a percorrer o caminho de te dizer adeus. Cada vez mais suave. Cada vez mais tranquilo.
Sempre com agitação e angústia. Mas seguro de que voltei a percorrer o caminho. O caminho que tinha perdido e que por culpa de ninguém se não minha, deixei de percorrer.
Voltei a esse caminho. Para te dizer mais adeus.
Beijo.
Sempre com agitação e angústia. Mas seguro de que voltei a percorrer o caminho. O caminho que tinha perdido e que por culpa de ninguém se não minha, deixei de percorrer.
Voltei a esse caminho. Para te dizer mais adeus.
Beijo.
16 de setembro de 2011
Randy Pausch
We don't beat the Reaper by living longer, we beat the Reaper by living well and living fully, for the Reaper will come for all of us. The question is what do we do between the time we are born and the time he shows up. It's too late to do all the things that you're gonna kinda get around to.
-- Randy Pausch
13 de setembro de 2011
Adeus
Já percebi de onde vem essa sensação de que não te disse adeus. Ou antes que te disse adeus, mas não terminei esse adeus da forma que eu queria.
Vou por isso trabalhar nesse continuar do adeus, mantendo o respeito que sempre quis, por ti.
Foi por esse respeito que te tatuei no meu braço, num gesto de raiva, num movimento de angústia que eu próprio não compreendia. Mas sentia intensamente.
Era essa a expressão que eu não conseguia produzir nessa altura, era essa a angústia que sentia mas não sabia dizer. E foi daí que resultou a tatuagem. No mesmo dia em que chorei no Magnólia como já aqui descrevi.
Estão então cridas as condições para o retomar desse adeus, sem dor, sem medo. Apenas um adeus tranquilo. Sossegado e livre. Sim, um adeus livre. É isso.
Vou por isso trabalhar nesse continuar do adeus, mantendo o respeito que sempre quis, por ti.
Foi por esse respeito que te tatuei no meu braço, num gesto de raiva, num movimento de angústia que eu próprio não compreendia. Mas sentia intensamente.
Era essa a expressão que eu não conseguia produzir nessa altura, era essa a angústia que sentia mas não sabia dizer. E foi daí que resultou a tatuagem. No mesmo dia em que chorei no Magnólia como já aqui descrevi.
Estão então cridas as condições para o retomar desse adeus, sem dor, sem medo. Apenas um adeus tranquilo. Sossegado e livre. Sim, um adeus livre. É isso.
12 de setembro de 2011
3 de setembro de 2011
Férias
Outras férias.
Com ele. Sem ti. Penso que de uma forma mais tranquila e segura fomos de férias e estivemos de férias sem grandes sobressaltos. Só no momento em que ficámos mais sozinhos, sem os Tios, ele disse - Isto sem eles não tem graça.... Tentei dar a volta à coisa, e sem grandes stresses pareceu-me que resultou.
É para mim óbvio que se estivesses talvez tudo fosse muito semelhante. Mas se estivesse, a minha cabeça estava noutro estado, e isso também se reflectia com certeza, nele.
Nada a fazer.
Ou antes.
Fazemos o que é possível, e a cada momento o que parece melhor. Não sem uns momentos de desespero e angústia. Dolorosa e geral.
Com ele. Sem ti. Penso que de uma forma mais tranquila e segura fomos de férias e estivemos de férias sem grandes sobressaltos. Só no momento em que ficámos mais sozinhos, sem os Tios, ele disse - Isto sem eles não tem graça.... Tentei dar a volta à coisa, e sem grandes stresses pareceu-me que resultou.
É para mim óbvio que se estivesses talvez tudo fosse muito semelhante. Mas se estivesse, a minha cabeça estava noutro estado, e isso também se reflectia com certeza, nele.
Nada a fazer.
Ou antes.
Fazemos o que é possível, e a cada momento o que parece melhor. Não sem uns momentos de desespero e angústia. Dolorosa e geral.
2 de setembro de 2011
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