--- Marcel Pagnol
Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
28 de novembro de 2011
24 de novembro de 2011
23 de novembro de 2011
Saudades - 27/03/2009
- Pai, tenho muitas saudades da Mamã.
- Eu também tenho......
- Vamos ter de aguentar, até ao resto das nossas vidas.
- Sim, não há nada que nós possamos fazer para mudar o que aconteceu. Mas podemos pensar nas coisas boas que fizemos e nos momentos bons que vivemos.
- Vamos ter de aguentar, até ao resto das nossas vidas.
- Sim, não há nada que nós possamos fazer para mudar o que aconteceu. Mas podemos pensar nas coisas boas que fizemos e nos momentos bons que vivemos.
- Pois é.
- Temos de pensar que a Mamã está num sitio bom e que está bem.
- Sim Pai, ela está a descansar.
21 de novembro de 2011
Bebés - 11/06/2009
- Pai.... Os bebés quando nascem já trazem coisas na cabeça? Ideias e assim?
- Não. Não trazem nada. Mas trazem o mais importante, que é a capacidade para
aprender tudo. Percebes?
- Não.
- Quando
se nasce não trazemos ideias nem conhecimento. Não sabemos nada. Mas trazemos
um cérebro dentro da nossa cabeça. Sabes o que é um cérebro?
- Sim
Pai. Nos bebés é assim canotcha.
- Sim, é assim como o próprio bebé. E depois cresce quando o bebé cresce. E aprendemos
continuamente, aprendemos sempre ao longo da vida. Portanto os bebés não sabem
nada, mas assim que nascem começam a aprender. Percebes?
- Sim.
[...]
- Olha... não é verdade que as cabeças dos bebés não trazem nada. Trazem coisas sim. Por
exemplo, quando um bebé tem fome, o que faz?
- Chora.
- Sim,
e porquê?
- Hummm…
porque tem fome.
- Sim, mas para que serve o choro?
- Não
sei…..
- Para
chamar à atenção. Não é? Para que a Mãe saiba que ele tem fome e quer mamar. E
vês, isso ninguém ensinou ao bebé. Chama-se a isso um instinto, é uma coisa que
vem cá dentro, já quando nascemos.
- Já vem dentro do cérebro.
- Isso!
20 de novembro de 2011
15 de novembro de 2011
9 de novembro de 2011
Voz
Hoje, a tentar sondar se rever os vídeos antigos tinha sido uma boa ideia, numa conversa o mais descontraída possível.
- Eu senti que ficaste um pouco triste por ver os vídeos.
- Sim fiquei um pouco.
- Mas também gostaste ao mesmo tempo, não foi? Foi giro rever-te bebé. E é bom relembrar a Mamã. Ou não é?
- É sim, eu gostei muito. Lembrava-me bem dela, mas da voz não. Pensava que a voz dela era mais forte, mais grossa. E ela tinha uma voz muito querida. Uma voz muito linda.
- Eu senti que ficaste um pouco triste por ver os vídeos.
- Sim fiquei um pouco.
- Mas também gostaste ao mesmo tempo, não foi? Foi giro rever-te bebé. E é bom relembrar a Mamã. Ou não é?
- É sim, eu gostei muito. Lembrava-me bem dela, mas da voz não. Pensava que a voz dela era mais forte, mais grossa. E ela tinha uma voz muito querida. Uma voz muito linda.
7 de novembro de 2011
Imagens
Hoje vimos uma parte de um video que me pareceu tranquilo. Ele bebé, rechonchudo, a começar a falar, a andar e correr pela casa, bem disposto, feliz.
Estava cheio de medo de voltar a ver os videos, e o inevitável aconteceu.
Às tantas, diz ele;
- A Mamã tinha uma voz tão querida. Já não me lembrava da voz dela.
Ficou triste, pareceu-me. Triste mas também contente por se rever bebé. Triste pela saudade que expressou também, mas contente por saber que os videos existiam.
À noite ao deitar perguntou-me;
- Porque é que gravaram aquelas imagens?
Expliquei, pelas razões óbvias de recordar mais tarde, de ser um momento único. E que se mostrava que era bom.
- Estás bem? Perguntei.
- Sim. Já não me lembrava de voz da Mãe.
- É natural, passou muito tempo.
- Tenho saudades, mas gosto de ver. Disse
- É bom, não é? Eu também tenho saudades, mas gosto de ver. Confirmei eu com sinceridade.
- Também eras mais divertido naquela altura. Eras mais feliz.
- Pois era querido.
Estava cheio de medo de voltar a ver os videos, e o inevitável aconteceu.
Às tantas, diz ele;
- A Mamã tinha uma voz tão querida. Já não me lembrava da voz dela.
Ficou triste, pareceu-me. Triste mas também contente por se rever bebé. Triste pela saudade que expressou também, mas contente por saber que os videos existiam.
À noite ao deitar perguntou-me;
- Porque é que gravaram aquelas imagens?
Expliquei, pelas razões óbvias de recordar mais tarde, de ser um momento único. E que se mostrava que era bom.
- Estás bem? Perguntei.
- Sim. Já não me lembrava de voz da Mãe.
- É natural, passou muito tempo.
- Tenho saudades, mas gosto de ver. Disse
- É bom, não é? Eu também tenho saudades, mas gosto de ver. Confirmei eu com sinceridade.
- Também eras mais divertido naquela altura. Eras mais feliz.
- Pois era querido.
4 de novembro de 2011
Tartarugo
Lembro-me muitas vezes de uma frase tua.
Eu na cadeira do hospital, a respirar vapor à força por uma máscara de plástico, tu lá fora à minha espera.
No antigo hospital de Cascais, velho, obsoleto, cheio de gente, meio desconjuntado e a cheirar éter a léguas.
A sala naquele tom indescritível, entre o branco sujo e o amarelo desmaiado.
Os meus parceiros de tratamento todos velhotes, com um ar acabado, sentados em cadeiras a respirar vapor à força. Eu a pensar - quem é que já respirou por esta máscara que estou a usar....
Um ataque de asma violento. A tua ajuda. A tua companhia.
E depois o teu sms. Estou cá fora à espera do meu tartarugo lindo.....
Nessa noite, senti que me amavas. Só quem ama é capaz de um sentimento desses, depois de todo o stress que eu tinha provocado.
Estou cá fora à espera do meu tartarugo lindo.....
Soube bem. Foi o melhor tratamento que podia receber.
Lembro-me de te falar nisso e de te agradecer.
Obrigado.
Beijo.
Eu na cadeira do hospital, a respirar vapor à força por uma máscara de plástico, tu lá fora à minha espera.
No antigo hospital de Cascais, velho, obsoleto, cheio de gente, meio desconjuntado e a cheirar éter a léguas.
A sala naquele tom indescritível, entre o branco sujo e o amarelo desmaiado.
Os meus parceiros de tratamento todos velhotes, com um ar acabado, sentados em cadeiras a respirar vapor à força. Eu a pensar - quem é que já respirou por esta máscara que estou a usar....
Um ataque de asma violento. A tua ajuda. A tua companhia.
E depois o teu sms. Estou cá fora à espera do meu tartarugo lindo.....
Nessa noite, senti que me amavas. Só quem ama é capaz de um sentimento desses, depois de todo o stress que eu tinha provocado.
Estou cá fora à espera do meu tartarugo lindo.....
Soube bem. Foi o melhor tratamento que podia receber.
Lembro-me de te falar nisso e de te agradecer.
Obrigado.
Beijo.
Rádio
Hoje num programa da Antena 1....
O adolescente é aquele que tem a convicção de tudo, porque ainda não viveu nada...
O adolescente é aquele que tem a convicção de tudo, porque ainda não viveu nada...
2 de novembro de 2011
Videos
Videos nossos, antigos.
Houve um tempo em que filmávamos. Houve um tempo em nos fartávamos de fazer isso.
Encontrei ontem de novo a máquina, que quase todos os dias via, mas não queria ver.
Hoje ao rever um pequeno trecho, revisitei a tua voz, a tua presença, o teu rosto.
O nosso bebé pequeno, motivação mais que forte para a termos comprado.
Recuperei a vontade de os ver e de também de filmar.
Fiquei com muito medo, e só lhe falei nisso muito a fugir. Vamos ver como corre. Para mim foi estranho, acho que ainda estou a processar.
Porquê fazer isso? Para doer e marcar, ou para reviver tranquilamente?
E porque não fazer? Por não ter filmado mais, por ter perdido tanto?
E porque não parar de pensar?.....
Houve um tempo em que filmávamos. Houve um tempo em nos fartávamos de fazer isso.
Encontrei ontem de novo a máquina, que quase todos os dias via, mas não queria ver.
Hoje ao rever um pequeno trecho, revisitei a tua voz, a tua presença, o teu rosto.
O nosso bebé pequeno, motivação mais que forte para a termos comprado.
Recuperei a vontade de os ver e de também de filmar.
Fiquei com muito medo, e só lhe falei nisso muito a fugir. Vamos ver como corre. Para mim foi estranho, acho que ainda estou a processar.
Porquê fazer isso? Para doer e marcar, ou para reviver tranquilamente?
E porque não fazer? Por não ter filmado mais, por ter perdido tanto?
E porque não parar de pensar?.....
1 de novembro de 2011
Cansaço
Da tua ausência.
Da minha insegurança com tudo.
Das coisas que não se resolvem.
Do medo de ter feito mal. Medo de falhar. De não estar à altura. De não estar a fazer bem, sobretudo com ele.
Cansaço de não saber o que sou, de não saber ao fim de todo este tempo o que gostava de ser.
Cansaço de ser menos por incapacidade de lutar e perseguir.
De perder.
De suspeitar que há coisas que não se vão resolver. Coisas que nunca estiveram bem e assim nunca vão estar.
Cansaço. Desculpa....
Da minha insegurança com tudo.
Das coisas que não se resolvem.
Do medo de ter feito mal. Medo de falhar. De não estar à altura. De não estar a fazer bem, sobretudo com ele.
Cansaço de não saber o que sou, de não saber ao fim de todo este tempo o que gostava de ser.
Cansaço de ser menos por incapacidade de lutar e perseguir.
De perder.
De suspeitar que há coisas que não se vão resolver. Coisas que nunca estiveram bem e assim nunca vão estar.
Cansaço. Desculpa....
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