What now? How many more surprises?
Um ano depois da Ana ter morrido, ter desaparecido daqui, de nós, com a sua dor, o seu sofrimento, a sua angustia, a sua tristeza, a vontade de ficar e de viver. Tudo perdido numa cama fria de um hospital frio. Abandonada por todos e por tudo.
Uma das coisas que me deixou tranquilo no processo da morte da Ana, no seu desaparecimento, foi a sensação, a certeza, de que estava tranquila com o nosso filho. Não falou nele, falei eu. Sempre. Ela tranquila a ouvir.
Mas nem tudo foi assim.
Uma das coisas que mais me entristece, ainda hoje, foi o isolamento dela. Os pedidos de uma 7up fresquinha. O olho dela já cego, já sem ver. A dor. O isolamento.
Mas pelo menos com ele, sinto que ela ficou bem.
Ultimamente tenho um sentimento ambíguo em relação a tudo. O sentimento de que se a Ana estivesse aqui, nada de mau teria acontecido. Seguramente que eu não estava bem, não estava tranquilo. Nunca estive, nunca fui assim. Mas estava acompanhado, mas estava bem. Ela era tudo. Todo o foco era ela. Não havia espaço para mais nada. Nada de mau teria acontecido.
Escrito no parque da Serafina em 13/12/2009.