Por incrível que pareça, hoje, mais de três anos depois de desapareceres daqui, de junto de nós, encontrei um antigo colega teu que me falou de ti com um sentimento e uma saudade surpreendente. Não esperava, e fiquei desarmado, sem reacção.
Valeram os elogios ao nosso rapaz e à sua postura e alegria.
Mas foi desgastante e cansativo. Fiquei com a sensação de que tinha chorado várias horas seguidas. Sem vontade de falar, com a garganta seca, com os olhos pesados, com vontade de dormir e deixar o tempo correr.
E no meio disso tudo, a confirmação de que mais uma vez me parece que ele está bem. Algo com que estavas tranquila, e com o qual eu fico tranquilo também, por teres tido razão nessa tua visão das coisas.
Beijo.
Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
31 de dezembro de 2011
30 de dezembro de 2011
2012
Para procurar acabar o melhor possível este ano, e olhar para 2012 com outra determinação (seguindo um dos três votos (as resoluções, como dissemos os dois) discutidos com o rapaz para o próximo ano), uma foto de que com certeza gostarias muito. O gordo do urso polar a entrar de chapa na água. Beijos. Saudade. Descansa. Nós vamos continuar aqui, da melhor forma que soubermos.
29 de dezembro de 2011
Crescente
Ana.
Não sei se pelas férias que estou forçadamente a gozar agora, se pelos dias de sol magnífico, se pela presença cada vez mais divertida e companheira dele e dos seus amigos, estes dias trouxeram alguma paz.
Com saudades tuas, com saudades do meu Pai, em especial nesta altura do ano que tinha tanto significado para ele, mas como alguma paz tranquila e crescente sobre o resto, vou passando estes dias até ao ano que vem. Sempre, mesmo que não querendo, procurando acreditar que o ano de 2012 vai ser um ano de viragem.
Até recordei como identificar a estrela polar. Magnifico :-).
Beijo.
Não sei se pelas férias que estou forçadamente a gozar agora, se pelos dias de sol magnífico, se pela presença cada vez mais divertida e companheira dele e dos seus amigos, estes dias trouxeram alguma paz.
Com saudades tuas, com saudades do meu Pai, em especial nesta altura do ano que tinha tanto significado para ele, mas como alguma paz tranquila e crescente sobre o resto, vou passando estes dias até ao ano que vem. Sempre, mesmo que não querendo, procurando acreditar que o ano de 2012 vai ser um ano de viragem.
Até recordei como identificar a estrela polar. Magnifico :-).
Beijo.
26 de dezembro de 2011
25 de dezembro de 2011
O que seria
Hoje por momentos imaginei-me num Natal de outros tempos e tentei extrapolar o Natal de hoje.
Não é difícil imaginar. Até pensei nos irmãos que ele teria. Nos bebés novos que circulariam por aqui, com as suas chuchas as suas birras as suas manhas os seus risos, e aquele irradiar de alegria de que só os bebés são capazes em determinados momentos.
Imaginei-te severa como sempre, e extremamente organizada como sempre. Com tudo num brinco e bem pensado. Pensei que estarias mais velha, com mais cabelos brancos que esconderias com aquele jeito que tinhas para tratar o teu cabelo. O teu lindo cabelo preto, liso e longo.
Imaginei assim o que seria um Natal contigo cá, se o percurso tivesse sido diferente.
Com certeza eu também seria diferente. Com certeza que algumas coisas não funcionariam bem, e em outras poderia ser melhor. Mas sou capaz de imaginar a nossa cumplicidade. O nosso carinho. As nossas birras e zangas. O teu mau feitio e a minha hipersensibilidade.
E imagino outra coisa.
Imagino a presença de todos em muitos Natais seguidos. Natais em que estavam todos cá, e eu estava, nós estávamos, seguros e tranquilos, dentro desse espaço.
Mesmo isso pouco existiu. E hoje é impossível. Sem ti e sem o meu Pai.
Seriamos todos diferentes, e se lá estivéssemos provavelmente não valorizávamos o que tínhamos. Mas é assim a nossa condição. Sempre à procura de algo, sem compreender bem o que se tem a cada momento.
Imaginei-te, por fim, como se vê alguém numa fotografia. Tranquila e estática a olhar para mim. Com um sorriso quente e suave, como quanto te conhecia e sorrias para mim com sinceridade.
Beijo.
Não é difícil imaginar. Até pensei nos irmãos que ele teria. Nos bebés novos que circulariam por aqui, com as suas chuchas as suas birras as suas manhas os seus risos, e aquele irradiar de alegria de que só os bebés são capazes em determinados momentos.
Imaginei-te severa como sempre, e extremamente organizada como sempre. Com tudo num brinco e bem pensado. Pensei que estarias mais velha, com mais cabelos brancos que esconderias com aquele jeito que tinhas para tratar o teu cabelo. O teu lindo cabelo preto, liso e longo.
Imaginei assim o que seria um Natal contigo cá, se o percurso tivesse sido diferente.
Com certeza eu também seria diferente. Com certeza que algumas coisas não funcionariam bem, e em outras poderia ser melhor. Mas sou capaz de imaginar a nossa cumplicidade. O nosso carinho. As nossas birras e zangas. O teu mau feitio e a minha hipersensibilidade.
E imagino outra coisa.
Imagino a presença de todos em muitos Natais seguidos. Natais em que estavam todos cá, e eu estava, nós estávamos, seguros e tranquilos, dentro desse espaço.
Mesmo isso pouco existiu. E hoje é impossível. Sem ti e sem o meu Pai.
Seriamos todos diferentes, e se lá estivéssemos provavelmente não valorizávamos o que tínhamos. Mas é assim a nossa condição. Sempre à procura de algo, sem compreender bem o que se tem a cada momento.
Imaginei-te, por fim, como se vê alguém numa fotografia. Tranquila e estática a olhar para mim. Com um sorriso quente e suave, como quanto te conhecia e sorrias para mim com sinceridade.
Beijo.
21 de dezembro de 2011
Kilauea
Mais do que o habitual sentimento de que gostarias, olhei para esta foto e lembrei-me de ti e da tua força. Da tua natureza.
Depois ao ler a legenda, mais sentido fez. O Kilauea, é um vulcão que está no meu imaginário desde que me lembro, e por razões talvez um pouco infantis (lá está)... E é um nome sonoro e bonito. Razões válidas, no fundo.
Talvez um bom destino. Um bom objectivo para visitar um dia. Logo para mim que nunca tive desses sonhos. E talvez devesse ter tido mais. Contigo.
É assim que vejo agora. Beijo.
Depois ao ler a legenda, mais sentido fez. O Kilauea, é um vulcão que está no meu imaginário desde que me lembro, e por razões talvez um pouco infantis (lá está)... E é um nome sonoro e bonito. Razões válidas, no fundo.
Talvez um bom destino. Um bom objectivo para visitar um dia. Logo para mim que nunca tive desses sonhos. E talvez devesse ter tido mais. Contigo.
É assim que vejo agora. Beijo.
20 de dezembro de 2011
Texto escrito à mão - 13/12/2009
What now? How many more surprises?
Um ano depois da Ana ter morrido, ter desaparecido daqui, de nós, com a sua dor, o seu sofrimento, a sua angustia, a sua tristeza, a vontade de ficar e de viver. Tudo perdido numa cama fria de um hospital frio. Abandonada por todos e por tudo.
Uma das coisas que me deixou tranquilo no processo da morte da Ana, no seu desaparecimento, foi a sensação, a certeza, de que estava tranquila com o nosso filho. Não falou nele, falei eu. Sempre. Ela tranquila a ouvir.
Mas nem tudo foi assim.
Uma das coisas que mais me entristece, ainda hoje, foi o isolamento dela. Os pedidos de uma 7up fresquinha. O olho dela já cego, já sem ver. A dor. O isolamento.
Mas pelo menos com ele, sinto que ela ficou bem.
Ultimamente tenho um sentimento ambíguo em relação a tudo. O sentimento de que se a Ana estivesse aqui, nada de mau teria acontecido. Seguramente que eu não estava bem, não estava tranquilo. Nunca estive, nunca fui assim. Mas estava acompanhado, mas estava bem. Ela era tudo. Todo o foco era ela. Não havia espaço para mais nada. Nada de mau teria acontecido.
Escrito no parque da Serafina em 13/12/2009.
Um ano depois da Ana ter morrido, ter desaparecido daqui, de nós, com a sua dor, o seu sofrimento, a sua angustia, a sua tristeza, a vontade de ficar e de viver. Tudo perdido numa cama fria de um hospital frio. Abandonada por todos e por tudo.
Uma das coisas que me deixou tranquilo no processo da morte da Ana, no seu desaparecimento, foi a sensação, a certeza, de que estava tranquila com o nosso filho. Não falou nele, falei eu. Sempre. Ela tranquila a ouvir.
Mas nem tudo foi assim.
Uma das coisas que mais me entristece, ainda hoje, foi o isolamento dela. Os pedidos de uma 7up fresquinha. O olho dela já cego, já sem ver. A dor. O isolamento.
Mas pelo menos com ele, sinto que ela ficou bem.
Ultimamente tenho um sentimento ambíguo em relação a tudo. O sentimento de que se a Ana estivesse aqui, nada de mau teria acontecido. Seguramente que eu não estava bem, não estava tranquilo. Nunca estive, nunca fui assim. Mas estava acompanhado, mas estava bem. Ela era tudo. Todo o foco era ela. Não havia espaço para mais nada. Nada de mau teria acontecido.
Escrito no parque da Serafina em 13/12/2009.
7 de dezembro de 2011
3 de dezembro de 2011
If You Love, Love Openly
Twenty monks and one nun, who was named Eshun, were practicing meditation with a certain Zen master.
Eshun was very pretty even though her head was shaved and her dress plain. Several monks secretly fell in love with her. One of them wrote her a love letter, insisting upon a private meeting.
Eshun did not reply.
The following day the master gave a lecture to the group, and when it was over, Eshun arose. Addressing the one who had written her, she said: "If you really love me so much, come and embrace me now."
Eshun was very pretty even though her head was shaved and her dress plain. Several monks secretly fell in love with her. One of them wrote her a love letter, insisting upon a private meeting.
Eshun did not reply.
The following day the master gave a lecture to the group, and when it was over, Eshun arose. Addressing the one who had written her, she said: "If you really love me so much, come and embrace me now."
2 de dezembro de 2011
1 de dezembro de 2011
Torneio
Terias gostado de o ver. No primeiro torneio de ténis. Ainda começou a jogar contigo cá, perto dele. Talvez sem as mesmas motivações, seguramente sem o entusiasmo de agora, mas chegaste a ver e saber que jogava.
Gostavas certamente de o ver agora.
A vibrar, como os outros, com o torneio que se aproximava. A vibrar durante, independentemente dos resultados e do que conseguia fazer. Foi excelente também por isso.
Bem acompanhado, bem enquadrado. Tranquilo e aéreo como é o seu género.
Durante o torneio, a Mãe de outro jogador disse-me. - Acho o seu filho muito adulto, muito tranquilo e seguro.
Fiquei sem saber bem o que dizer. Respondi - Teve de crescer um pouco à força.
- Pelo que aconteceu com a Mãe?
- Sim. - Disse eu. - Tenho por vezes receio disso. Que seja um crescimento rápido de mais.
- Ele parece-me bem. Num sentido positivo. - Reforçou ela.
Fiquei a pensar se ela saberia que a Mãe não estava cá. Que o que se tinha passado era mais do que a Mãe estar doente. Fiquei sem saber, por não querer continuar a conversa assim, sem perceber para onde ia. Por ter medo de ser lamechas. Por não querer parecer que procurava um ombro em alguém desconhecido. Enfim..... ficou a conversa por ali.
Mas gostarias com certeza de ouvir alguém dizer assim, com tranquilidade, bem da personalidade do teu rapaz. Fiquei contente por isso. E triste e amargo por não estares. O amargo de sempre, que não é novidade.
Gostavas certamente de o ver agora.
A vibrar, como os outros, com o torneio que se aproximava. A vibrar durante, independentemente dos resultados e do que conseguia fazer. Foi excelente também por isso.
Bem acompanhado, bem enquadrado. Tranquilo e aéreo como é o seu género.
Durante o torneio, a Mãe de outro jogador disse-me. - Acho o seu filho muito adulto, muito tranquilo e seguro.
Fiquei sem saber bem o que dizer. Respondi - Teve de crescer um pouco à força.
- Pelo que aconteceu com a Mãe?
- Sim. - Disse eu. - Tenho por vezes receio disso. Que seja um crescimento rápido de mais.
- Ele parece-me bem. Num sentido positivo. - Reforçou ela.
Fiquei a pensar se ela saberia que a Mãe não estava cá. Que o que se tinha passado era mais do que a Mãe estar doente. Fiquei sem saber, por não querer continuar a conversa assim, sem perceber para onde ia. Por ter medo de ser lamechas. Por não querer parecer que procurava um ombro em alguém desconhecido. Enfim..... ficou a conversa por ali.
Mas gostarias com certeza de ouvir alguém dizer assim, com tranquilidade, bem da personalidade do teu rapaz. Fiquei contente por isso. E triste e amargo por não estares. O amargo de sempre, que não é novidade.
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