Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
31 de março de 2012
Silêncio dos bons
"O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem ética.
O que me preocupa é o silêncio dos bons!"
-- Martin Luther King Jr
O que me preocupa é o silêncio dos bons!"
-- Martin Luther King Jr
27 de março de 2012
Obsessed
Two traveling monks reached a river where they met a young woman. Wary of the current, she asked if they could carry her across. One of the monks hesitated, but the other quickly picked her up onto his shoulders, transported her across the water, and put her down on the other bank. She thanked him and departed.
As the monks continued on their way, the one was brooding and preoccupied. Unable to hold his silence, he spoke out.
"Brother, our spiritual training teaches us to avoid any contact with women, but you picked that one up on your shoulders and carried her!"
"Brother," the second monk replied,
"I set her down on the other side, while you are still carrying her."
As the monks continued on their way, the one was brooding and preoccupied. Unable to hold his silence, he spoke out.
"Brother, our spiritual training teaches us to avoid any contact with women, but you picked that one up on your shoulders and carried her!"
"Brother," the second monk replied,
"I set her down on the other side, while you are still carrying her."
24 de março de 2012
Confuso
Às vezes é confusa a tua ausência.
Uma sensação de falta, misturada com pena de não estares presente, uma sensação de quase naturalidade por ser assim como é, que custa a engolir, que custa a aceitar.
Uma estranha sensação de que não estou a fazer nada bem, porque se fosse bem feito não era admissível que fosse assim. Substituída depois pela necessidade de fazer coisas e de avançar.
Acho que nem sei explicar. Custa-me. Fico confuso.
Uma sensação de falta, misturada com pena de não estares presente, uma sensação de quase naturalidade por ser assim como é, que custa a engolir, que custa a aceitar.
Uma estranha sensação de que não estou a fazer nada bem, porque se fosse bem feito não era admissível que fosse assim. Substituída depois pela necessidade de fazer coisas e de avançar.
Acho que nem sei explicar. Custa-me. Fico confuso.
18 de março de 2012
Fotos
Na última semana reunimos as fotografias que queríamos, há muito, organizar no quarto do rapaz. Juntámos uma foto tua, grande, tirada pela tua Mãe ainda antes de eu te conhecer. Eras novinha, bonita, com o cabelo grande e as pernocas rechonchudas. Estás muito bonita nessa foto.
Depois apareceram mais. Tu com os golfinhos. Tu com ele bebé ao colo. Nós os três já contigo muito doente. Mais duas contigo e ele na praia, bebé, com os teus óculos de sol na cara. Muito giras por sinal.... já contigo a utilizar a cabeleira imposta pela quimioterapia.
Recordo sempre com um misto de saudade e tristeza estas fotos, em que apareces com sinais de doença, e do sofrimento terrível que viveste.
O que resultou daqui foi um grande número de fotos tuas, justapostas, criando quase que um santuário que era exactamente aquilo que eu não queria, e temia. Ele pareceu tranquilo com isso. Mais do que eu.
Assim, hoje, numa noitada, imprimi uma série de fotos dele, principalmente dele, em que propositadamente tu não apareces, e eu apareço pouco. A intenção é clara. É mesmo essa. E no entanto não me deixei de sentir um pouco mal com isso, e por isso vim aqui pedir-te...... talvez melhor.... saber, se compreendias e se me perdoavas esse gesto que me custou tanto. Quase que temi interiorizar que te esquecia ou apagava. Sabes. Não é de todo isso. E vim aqui para saber se percebias........
Beijo.
Depois apareceram mais. Tu com os golfinhos. Tu com ele bebé ao colo. Nós os três já contigo muito doente. Mais duas contigo e ele na praia, bebé, com os teus óculos de sol na cara. Muito giras por sinal.... já contigo a utilizar a cabeleira imposta pela quimioterapia.
Recordo sempre com um misto de saudade e tristeza estas fotos, em que apareces com sinais de doença, e do sofrimento terrível que viveste.
O que resultou daqui foi um grande número de fotos tuas, justapostas, criando quase que um santuário que era exactamente aquilo que eu não queria, e temia. Ele pareceu tranquilo com isso. Mais do que eu.
Assim, hoje, numa noitada, imprimi uma série de fotos dele, principalmente dele, em que propositadamente tu não apareces, e eu apareço pouco. A intenção é clara. É mesmo essa. E no entanto não me deixei de sentir um pouco mal com isso, e por isso vim aqui pedir-te...... talvez melhor.... saber, se compreendias e se me perdoavas esse gesto que me custou tanto. Quase que temi interiorizar que te esquecia ou apagava. Sabes. Não é de todo isso. E vim aqui para saber se percebias........
Beijo.
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