Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
22 de junho de 2012
21 de junho de 2012
Recomeçar
"Recomeçar - Miguel Torga"
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
18 de junho de 2012
Datas
Datas e mais datas.
Mais um aniversário do rapaz. e eu no meio, sempre a fazer o papel do palhaço alegre, que está bem e se ri de tudo, conta coisas giras e parece não ter problemas nem dificuldades nenhumas. Sempre a fazer tudo, a resolver tudo, a tentar fazer melhor e a calar cá dentro a sensação de não conseguir. A deixar uma inevitável imagem de pateta alegre, de palhaço pobre.
Fiz um lanche para os 23 convidados :-) e mais os adultos. Festa de aniversário com amigos que vai deixar de encontrar, provavelmente, e que vai progressivamente perder. Festa divertida, com as meninas para um lado os rapazes para o outro. Uma invenção da idade.
Uma festa com lanche, como já disse. Feito por mim, como é hábito, e que no meio da sua preparação, do nada, talvez pelo cansaço, pela preocupação, pelas minhas limitações pela falta de tranquilidade, falta de paz, chorei. Desatei a chorar do nada, com um sentimento apenas. O sentimento de que gostarias de estar aqui, de como seria bom para ele que a Mãe estivesse aqui, de como seria diferente e tranquilo que a Mãe o visse e ele visse a Mãe.
E do nada, desse sentimento, e de umas palavras que me saíram da boca em voz alta, chorei. Disse para mim próprio que estou cansado, e que não consigo fazer tudo bem........ que preciso de descansar.
Ninguem ouviu. Talvez apenas só tu. Será? Isso não sei.
Mas sei uma coisa.
Que tu, agora, compreenderias.
Eu sei.
Saudade. Beijo.
Mais um aniversário do rapaz. e eu no meio, sempre a fazer o papel do palhaço alegre, que está bem e se ri de tudo, conta coisas giras e parece não ter problemas nem dificuldades nenhumas. Sempre a fazer tudo, a resolver tudo, a tentar fazer melhor e a calar cá dentro a sensação de não conseguir. A deixar uma inevitável imagem de pateta alegre, de palhaço pobre.
Fiz um lanche para os 23 convidados :-) e mais os adultos. Festa de aniversário com amigos que vai deixar de encontrar, provavelmente, e que vai progressivamente perder. Festa divertida, com as meninas para um lado os rapazes para o outro. Uma invenção da idade.
Uma festa com lanche, como já disse. Feito por mim, como é hábito, e que no meio da sua preparação, do nada, talvez pelo cansaço, pela preocupação, pelas minhas limitações pela falta de tranquilidade, falta de paz, chorei. Desatei a chorar do nada, com um sentimento apenas. O sentimento de que gostarias de estar aqui, de como seria bom para ele que a Mãe estivesse aqui, de como seria diferente e tranquilo que a Mãe o visse e ele visse a Mãe.
E do nada, desse sentimento, e de umas palavras que me saíram da boca em voz alta, chorei. Disse para mim próprio que estou cansado, e que não consigo fazer tudo bem........ que preciso de descansar.
Ninguem ouviu. Talvez apenas só tu. Será? Isso não sei.
Mas sei uma coisa.
Que tu, agora, compreenderias.
Eu sei.
Saudade. Beijo.
11 de junho de 2012
Cena
Aquela da cena da melancolia, fez-me pensar.
Mas não. Não é melancolia. É respeito. Saudade, e uma tentativa sempre frustrada de corrigir algo.
Gostava de um dia poder explicar ao rapaz que estive aqui, de vez em quando, a falar de ti, de nós, dele, com respeito por ti, com saudade e com um sentimento de que nem tudo foi bom, mas que muito de bom se perdeu.
Há um lado incompreensível na tua morte.
Eu não consegui ainda perceber. Mas não desisto de tentar.
Daí, continuo, a tentar perceber.
Beijo
Saudade.
Mas não. Não é melancolia. É respeito. Saudade, e uma tentativa sempre frustrada de corrigir algo.
Gostava de um dia poder explicar ao rapaz que estive aqui, de vez em quando, a falar de ti, de nós, dele, com respeito por ti, com saudade e com um sentimento de que nem tudo foi bom, mas que muito de bom se perdeu.
Há um lado incompreensível na tua morte.
Eu não consegui ainda perceber. Mas não desisto de tentar.
Daí, continuo, a tentar perceber.
Beijo
Saudade.
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