No dia em que lhe disse que tinhas morrido, um dos piores dias da minha vida, quando lhe dei a noticia, da forma que podia e sabia, da forma mais suave que encontrei para dar uma noticia horrível e brutal, ao ouvir, ele encolheu-se como um feto, disse apenas - não!, e chorou..... fiquei sem saber o que fazer por uns segundos, como se não lhe pudesse tocar... impotente, perdido, desconsolado e só.... e depois desses segundos horríveis, longos, enormes, de completa impotência e angústia, chamei-o para o meu colo e dei-lhe o abraço mais terno que consegui, pelo maior tempo, com a maior expressão que consegui...... Segurei-o, reconfortei-o e chorei com ele.
Dei-lhe essa noticia no parque de estacionamento do cemitério, perto da casa dos meus Pais. Não escolhi o sítio. Aconteceu assim. Não queria dizer-lhe muito mais tarde, precisava de lhe dizer se não rebentava a cabeça de tanto pensar. Não queria nem podia esperar mais. Foi ali como podia ter sido noutro sítio. Só queria que fosse uma conversa entre nós dois.
E assim foi, como te descrevo aqui.
Anos mais tarde, um dia ao passar pelo mesmo sítio, ele fez-me o seguinte comentário que me deixou petrificado; - Tenho más recordações deste sítio.
Gelei. Quase sem saber o que dizer.
Disse apenas; - Acredito.
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