Continuo sem perceber.
Nos últimos dias recordações tuas regressam à minha cabeça com frequência, como se quisesses falar comigo. É estranho eu sei, é provavelmente estúpido, eu sei, mas a sensação é essa. Parece que estás aqui. E eu não tinha essa sensação.
Em vários momentos sinto-te por perto, ou imagino-te aqui.
Felizmente tranquila, sinto isso também. Não estás zangada comigo, estás tranquila, Mesmo sabendo, como eu sei que sabes, de tudo o que fiz, e tudo o que fiz errado, que até pode ser errado ou não, mas foi feito, e podia ser melhor, podia ser diferente, podia ser mais tranquilo.
Esse é talvez o resumo de tudo. Não estou tranquilo.
Não percebo, porquê agora? Tenho vivido a minha vida, muitas vezes sobrevivendo a vida em vez da viver. Algumas vezes vivendo. Tranquilo? Raramente. Por vezes estou absorvido, mergulado em coisas, e por isso parece-me que tudo está bem, Depois acordo e penso. Como é possível?
E ainda há pouco,
Olhei lá para fora. O azevinho está em flor. Cheio de flor como nunca o tinha visto.
Como tu o gostaria de ver.
Como tu, talvez como ninguém, conseguirias perceber o que significa, e o prazer que dá olhar para ele e pensar na história que o rodeia.
E no entanto. Não estás aqui. Não és parte.
Como é possível? Como foi acontecer assim.
Não percebo.