19 de abril de 2013

Dezanove de Abril

O tempo passa mas há marcas que não desaparecem. Arrependimentos, frustrações, raiva pela forma como as coisas aconteceram e pela falta de discernimento para que acontecessem de outra forma. Uma dificuldade tremenda em estar em paz, fazer tréguas com o passado.

Ainda há dias sonhei contigo. Estavas doente outra vez. Já tinha sonhado contigo bem, bonita e feliz como quando te conheci, mas desta vez voltei a sonhar contigo doente. Com o cabelo estragado, um boné na cabeça, inchada dos tratamentos, doente e triste, num sofrimento lento, desgastante, incompreensível para quem olha de fora.

E o teu filho tira-me daí. Acorda de manhã zangado por ter de ir para a escola. Faço duas piscinas logo de manhã para o ir levar e voltar para casa, e fico com uma ligeira sensação de que fiz alguma coisa boa. Que no meio de tudo, algo de bom resultou. Tenho uma ligeira sensação de paz, um ligeiro aliviar da dor, e por uns instantes, apenas uns instantes logo apagados, uma ligeira tranquilidade aparente com a vida, com o que acontece e com o que aconteceu.

Descanso sentado no banco da cozinha, e bebo um café. Nesta cozinha que já não é a tua, que já não conheceste, e esse sentimento, basta esse..... faz-me regressar às avaliações se tudo está bem e correcto.

Logo à tarde vou de novo buscar o teu filho. Trago o rapaz para os treinos. Como gostarias de o ver. Como querias tanto vê-lo crescer. É uma pena.
Uma ligeira tristeza neste dia diferente. Hoje era um dia especial para nós.
Desculpa. Já passa. Logo vou ter com ele, e por ele, tudo passa. 
Beijo. Saudade.

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