19 de dezembro de 2018

Coisas sem significado


Foto do dia - 12 de Dezembro de 2008
Katowice - Kościół pw. Św. Piotra i Pawła 01.JPG

15 de dezembro de 2018

10

10. O número não significa nada. Porquê 10, e não 7? Porquê 10 e não nunca?
Nem que seja inconscientemente, há qualquer coisa no número que faz com que tenha peso e significado, que chame memórias.
Lembro-me de pensar nisso. Que dez seria o número especial. Que dez anos depois de morreres teria um significado qualquer. Não tem. Mas tem.
Dez anos depois o rapaz tem 18 anos. Tem uns magníficos 18 anos, crescidos em cima do sorriso e dos olhos brilhantes do menino que eu levava ao parque depois de te deixar no hospital  A brincadeira, a alegria com que passeava, libertavam-me do sofrimento de te ver sofrer. Ajudavam-me a respirar depois daquelas horas. Depois daquelas horas de impotência e de cheiro de hospital. O passeio com ele e a sua alegria contagiante e inocente, ajudavam-me a sentir de novo um norte e um propósito que por vezes achava não existir. Ia passear com ele e o passeio era como que um momento de paz, uma ligeira cura, um aliviar na dor.
Passaram 10 anos. Muita coisa aconteceu. Muita coisa está a acontecer. Regateamos atenção um do outro, e dos que nos rodeiam. Amamos coisas diferentes e coisa semelhantes.
Passeamos de outra forma.
O menino de sorriso e olhos brilhantes está lá sempre que olho para ele.
Mas ele é outro obviamente. E ainda bem!

15 de abril de 2018

Mais Inverno, pouco depois....

Poucos dias depois da última entrada, assim aconteceu. Eu disse adeus à Mãe, ele disse adeus à Avó.
Infelizmente não tive tempo, descendimento e saber para viver de outra forma. Sempre receoso, sempre limitado, sempre à espera de algo melhor e mais concreto....
Junta-se assim mais uma perda. E nos últimos 9 anos tudo mudou. Primeiro tu, depois o meu Pai, depois a minha Mãe. Todos saíram e deixaram apenas memórias e uma angustia no peito. Uma angústia crescente que não tem fim, e sei hoje, nunca terá.
Vivo os dias seguidos como se nada fosse. Sempre foi essa a minha maneira de lidar com os dias. Com as coisas. Sempre fui assim. É-me difícil ser de outra forma. Não sei.
Mas sinto cada vez mais um cansaço. E esta morte recente deixou-me o cansaço ainda maior e mais difícil de superar. O cansaço de me sentir estúpido. O cansaço de olhar para mim, os meus dias as minhas horas as minhas atitudes e conversas, e de sentir uma completa falta de senso sobre tudo o que aconteceu. Como se alguém pudesse ser normal quando vive uma realidade destas, como se alguém pudesse viver como se tudo estivesse bem, depois de perder para sempre três pessoas que me deram tudo e me fizeram o que sou.
O meu Pai. Companheiro de aventuras, de saber infinito, de diversão e camaradagem. Com quem aprendi tudo, a começar pela forma de estar na vida, e quem penso nunca agradeci como devia. À minha Mãe que tanto amor me deu e tantas arrelias também. E a ti que fizeste de mim um homem. E me transformaste de um puto sem rumo e sem sentido, num Pai feliz, num ser completo. A todos os três gostaria de dizer que me recordo dos nosso tempos juntos com saudade, e que valorizo tudo de bom que nos aconteceu, mesmo que algumas coisas más tenham acontecido pelo meio. Fizeram de mim melhor. Disso não tenho qualquer dúvida. Saudade e amor. Adeus.