Poucos dias depois da última entrada, assim aconteceu. Eu disse adeus à Mãe, ele disse adeus à Avó.
Infelizmente não tive tempo, descendimento e saber para viver de outra forma. Sempre receoso, sempre limitado, sempre à espera de algo melhor e mais concreto....
Junta-se assim mais uma perda. E nos últimos 9 anos tudo mudou. Primeiro tu, depois o meu Pai, depois a minha Mãe. Todos saíram e deixaram apenas memórias e uma angustia no peito. Uma angústia crescente que não tem fim, e sei hoje, nunca terá.
Vivo os dias seguidos como se nada fosse. Sempre foi essa a minha maneira de lidar com os dias. Com as coisas. Sempre fui assim. É-me difícil ser de outra forma. Não sei.
Mas sinto cada vez mais um cansaço. E esta morte recente deixou-me o cansaço ainda maior e mais difícil de superar. O cansaço de me sentir estúpido. O cansaço de olhar para mim, os meus dias as minhas horas as minhas atitudes e conversas, e de sentir uma completa falta de senso sobre tudo o que aconteceu. Como se alguém pudesse ser normal quando vive uma realidade destas, como se alguém pudesse viver como se tudo estivesse bem, depois de perder para sempre três pessoas que me deram tudo e me fizeram o que sou.
O meu Pai. Companheiro de aventuras, de saber infinito, de diversão e camaradagem. Com quem aprendi tudo, a começar pela forma de estar na vida, e quem penso nunca agradeci como devia. À minha Mãe que tanto amor me deu e tantas arrelias também. E a ti que fizeste de mim um homem. E me transformaste de um puto sem rumo e sem sentido, num Pai feliz, num ser completo. A todos os três gostaria de dizer que me recordo dos nosso tempos juntos com saudade, e que valorizo tudo de bom que nos aconteceu, mesmo que algumas coisas más tenham acontecido pelo meio. Fizeram de mim melhor. Disso não tenho qualquer dúvida. Saudade e amor. Adeus.
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