Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
Com janelas de aurora e árvores no quintal -
Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
E ao crepúsculo fiquem cinzentas
como a roupa dos pescadores.
O que desejo é apenas uma casa.
Em verdade, Não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
Em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
Quero apenas uma casa em uma rua sem nome.
Sem nome, porém honrada, Senhor.
Só não dispenso a árvore,
Porque é a mais bela coisa que
nos destes e a menos amarga.
Quero de minha janela sentir
os ventos pelos caminhos, e ver o sol
Dourando os cabelos negros
e os olhos de minha amada.
[...]
Tentar Perceber
Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou e que continua a passar. Tentar perceber para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber o que aconteceu, porque aconteceu assim, como é possível não estares aqui? Se conseguisse, gostava também de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever para não esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
21 de julho de 2019
20 de julho de 2019
Ciclo
Um ciclo qualquer que se fecha. Não percebo bem qual, apenas o sinto.
O meu sítio nos espaços está diferente, os outros e a sua interacção comigo também.
Mais tranquilo? Não sei. Parece às vezes... outras parece igual.
O tempo é que corre de outra forma, mas sereno, mas constante, com as preocupações acumuladas e os problemas do costume, mas como que mais elásticos e menos pesados do que até aqui.
Alguns objectivos alcançados, outros quase a serem alcançados, penso, ajudam a este sentimento de maior pausa e compreensão.
Há um sabor diferente nas coisas, e uma relevância diferente colocada em cada uma.
Com frequência pergunto como seria tudo se aqui estivesses.
E essa pergunta permanece.
Para onde foi, tudo o que foste?
Não te esqueci. Beijo
O meu sítio nos espaços está diferente, os outros e a sua interacção comigo também.
Mais tranquilo? Não sei. Parece às vezes... outras parece igual.
O tempo é que corre de outra forma, mas sereno, mas constante, com as preocupações acumuladas e os problemas do costume, mas como que mais elásticos e menos pesados do que até aqui.
Alguns objectivos alcançados, outros quase a serem alcançados, penso, ajudam a este sentimento de maior pausa e compreensão.
Há um sabor diferente nas coisas, e uma relevância diferente colocada em cada uma.
Com frequência pergunto como seria tudo se aqui estivesses.
E essa pergunta permanece.
Para onde foi, tudo o que foste?
Não te esqueci. Beijo
19 de dezembro de 2018
15 de dezembro de 2018
10
10. O número não significa nada. Porquê 10, e não 7? Porquê 10 e não nunca?
Nem que seja inconscientemente, há qualquer coisa no número que faz com que tenha peso e significado, que chame memórias.
Lembro-me de pensar nisso. Que dez seria o número especial. Que dez anos depois de morreres teria um significado qualquer. Não tem. Mas tem.
Dez anos depois o rapaz tem 18 anos. Tem uns magníficos 18 anos, crescidos em cima do sorriso e dos olhos brilhantes do menino que eu levava ao parque depois de te deixar no hospital A brincadeira, a alegria com que passeava, libertavam-me do sofrimento de te ver sofrer. Ajudavam-me a respirar depois daquelas horas. Depois daquelas horas de impotência e de cheiro de hospital. O passeio com ele e a sua alegria contagiante e inocente, ajudavam-me a sentir de novo um norte e um propósito que por vezes achava não existir. Ia passear com ele e o passeio era como que um momento de paz, uma ligeira cura, um aliviar na dor.
Passaram 10 anos. Muita coisa aconteceu. Muita coisa está a acontecer. Regateamos atenção um do outro, e dos que nos rodeiam. Amamos coisas diferentes e coisa semelhantes.
Passeamos de outra forma.
O menino de sorriso e olhos brilhantes está lá sempre que olho para ele.
Mas ele é outro obviamente. E ainda bem!
Nem que seja inconscientemente, há qualquer coisa no número que faz com que tenha peso e significado, que chame memórias.
Lembro-me de pensar nisso. Que dez seria o número especial. Que dez anos depois de morreres teria um significado qualquer. Não tem. Mas tem.
Dez anos depois o rapaz tem 18 anos. Tem uns magníficos 18 anos, crescidos em cima do sorriso e dos olhos brilhantes do menino que eu levava ao parque depois de te deixar no hospital A brincadeira, a alegria com que passeava, libertavam-me do sofrimento de te ver sofrer. Ajudavam-me a respirar depois daquelas horas. Depois daquelas horas de impotência e de cheiro de hospital. O passeio com ele e a sua alegria contagiante e inocente, ajudavam-me a sentir de novo um norte e um propósito que por vezes achava não existir. Ia passear com ele e o passeio era como que um momento de paz, uma ligeira cura, um aliviar na dor.
Passaram 10 anos. Muita coisa aconteceu. Muita coisa está a acontecer. Regateamos atenção um do outro, e dos que nos rodeiam. Amamos coisas diferentes e coisa semelhantes.
Passeamos de outra forma.
O menino de sorriso e olhos brilhantes está lá sempre que olho para ele.
Mas ele é outro obviamente. E ainda bem!
15 de abril de 2018
Mais Inverno, pouco depois....
Poucos dias depois da última entrada, assim aconteceu. Eu disse adeus à Mãe, ele disse adeus à Avó.
Infelizmente não tive tempo, descendimento e saber para viver de outra forma. Sempre receoso, sempre limitado, sempre à espera de algo melhor e mais concreto....
Junta-se assim mais uma perda. E nos últimos 9 anos tudo mudou. Primeiro tu, depois o meu Pai, depois a minha Mãe. Todos saíram e deixaram apenas memórias e uma angustia no peito. Uma angústia crescente que não tem fim, e sei hoje, nunca terá.
Vivo os dias seguidos como se nada fosse. Sempre foi essa a minha maneira de lidar com os dias. Com as coisas. Sempre fui assim. É-me difícil ser de outra forma. Não sei.
Mas sinto cada vez mais um cansaço. E esta morte recente deixou-me o cansaço ainda maior e mais difícil de superar. O cansaço de me sentir estúpido. O cansaço de olhar para mim, os meus dias as minhas horas as minhas atitudes e conversas, e de sentir uma completa falta de senso sobre tudo o que aconteceu. Como se alguém pudesse ser normal quando vive uma realidade destas, como se alguém pudesse viver como se tudo estivesse bem, depois de perder para sempre três pessoas que me deram tudo e me fizeram o que sou.
O meu Pai. Companheiro de aventuras, de saber infinito, de diversão e camaradagem. Com quem aprendi tudo, a começar pela forma de estar na vida, e quem penso nunca agradeci como devia. À minha Mãe que tanto amor me deu e tantas arrelias também. E a ti que fizeste de mim um homem. E me transformaste de um puto sem rumo e sem sentido, num Pai feliz, num ser completo. A todos os três gostaria de dizer que me recordo dos nosso tempos juntos com saudade, e que valorizo tudo de bom que nos aconteceu, mesmo que algumas coisas más tenham acontecido pelo meio. Fizeram de mim melhor. Disso não tenho qualquer dúvida. Saudade e amor. Adeus.
Infelizmente não tive tempo, descendimento e saber para viver de outra forma. Sempre receoso, sempre limitado, sempre à espera de algo melhor e mais concreto....
Junta-se assim mais uma perda. E nos últimos 9 anos tudo mudou. Primeiro tu, depois o meu Pai, depois a minha Mãe. Todos saíram e deixaram apenas memórias e uma angustia no peito. Uma angústia crescente que não tem fim, e sei hoje, nunca terá.
Vivo os dias seguidos como se nada fosse. Sempre foi essa a minha maneira de lidar com os dias. Com as coisas. Sempre fui assim. É-me difícil ser de outra forma. Não sei.
Mas sinto cada vez mais um cansaço. E esta morte recente deixou-me o cansaço ainda maior e mais difícil de superar. O cansaço de me sentir estúpido. O cansaço de olhar para mim, os meus dias as minhas horas as minhas atitudes e conversas, e de sentir uma completa falta de senso sobre tudo o que aconteceu. Como se alguém pudesse ser normal quando vive uma realidade destas, como se alguém pudesse viver como se tudo estivesse bem, depois de perder para sempre três pessoas que me deram tudo e me fizeram o que sou.
O meu Pai. Companheiro de aventuras, de saber infinito, de diversão e camaradagem. Com quem aprendi tudo, a começar pela forma de estar na vida, e quem penso nunca agradeci como devia. À minha Mãe que tanto amor me deu e tantas arrelias também. E a ti que fizeste de mim um homem. E me transformaste de um puto sem rumo e sem sentido, num Pai feliz, num ser completo. A todos os três gostaria de dizer que me recordo dos nosso tempos juntos com saudade, e que valorizo tudo de bom que nos aconteceu, mesmo que algumas coisas más tenham acontecido pelo meio. Fizeram de mim melhor. Disso não tenho qualquer dúvida. Saudade e amor. Adeus.
15 de dezembro de 2017
Mais inverno
Dias sombrios estes. Não que sejam muito diferentes de outros momentos muito semelhantes, muito sobrecarregados, mas porque de facto se acumularam muitas coisa e muita tristeza.
Falta descanso e tranquilidade. Há que esperar que esse tempo surja num próximo passo.
Entretanto aguardar que o sofrimento da Mãe não seja longo nem desnecessário, como infelizmente parece estar a ser.
Falta descanso e tranquilidade. Há que esperar que esse tempo surja num próximo passo.
Entretanto aguardar que o sofrimento da Mãe não seja longo nem desnecessário, como infelizmente parece estar a ser.
13 de dezembro de 2017
12/12
Quem diria que nove anos depois de te ver pela última vez, estaria neste mesmo dia a tocar, num jantar, aquilo que me impulsionaste a aprender. Quem diria, tanto tempo depois ainda ia sentir um peso nos olhos de tudo o que correu mal naquele ano de 2008. E ia sentir de novo que talvez devesse neste dia guardar sossego e silêncio. Mas não pude. E aconteceu assim.
Lembrei-me de ti. Hoje, mil vezes.
Beijos
Lembrei-me de ti. Hoje, mil vezes.
Beijos
17 de maio de 2017
A morte ausente
A morte está ausente dos nossos dias. Evitamos falar nela, escusamo-nos, evitamos o tema.
E depois um dia entra pela nossa porta, e agora também pelos nossos ecrans adentro..... e comprovadamente não sabemos o que fazer com ela... comentamos, sentimos, dizemos o que é óbvio e que não pode deixar de ser dito.... e esperamos que passe.
É incompreensível, é injusto, é difícil, até custa falar nisso, não sabemos o que dizer, que coisa horrível.... e no entanto é a única certeza que temos.... vamos todos um dia morrer.
Por falar em coisas óbvias, muita gente esquece o que é óbvio, e para mim é óbvio que vivi contigo, casei contigo, ri e sofri contigo... e no entanto perante a morte, toda a gente (quase toda a gente para ser justo) esquece o que é óbvio, e fala comigo como que se há 8 anos não tivesse, eu próprio, estado ali.
Talvez tenha sido isso que mais me bateu.
Para além de ver, novamente, que fazemos um esforço para manter a morte ausente.
E no entanto. É tão simples......Bare handed we enter, bare handed we shall leave.
E depois um dia entra pela nossa porta, e agora também pelos nossos ecrans adentro..... e comprovadamente não sabemos o que fazer com ela... comentamos, sentimos, dizemos o que é óbvio e que não pode deixar de ser dito.... e esperamos que passe.
É incompreensível, é injusto, é difícil, até custa falar nisso, não sabemos o que dizer, que coisa horrível.... e no entanto é a única certeza que temos.... vamos todos um dia morrer.
Por falar em coisas óbvias, muita gente esquece o que é óbvio, e para mim é óbvio que vivi contigo, casei contigo, ri e sofri contigo... e no entanto perante a morte, toda a gente (quase toda a gente para ser justo) esquece o que é óbvio, e fala comigo como que se há 8 anos não tivesse, eu próprio, estado ali.
Talvez tenha sido isso que mais me bateu.
Para além de ver, novamente, que fazemos um esforço para manter a morte ausente.
E no entanto. É tão simples......Bare handed we enter, bare handed we shall leave.
19 de fevereiro de 2017
Do nada
Há tempos li algo sobre aquela velha questão de se recordar alguém que partiu, todos os dias. Sempre pareceu estranho, como se de uma obrigação se tratasse, como se fossemos menos por isso não acontecer, como se definíssemos uma escala de saudade, ausência sentida, dor..... quem escreveu o post ia por essas mesmas linhas.....
Não é verdade que possa dizer que me recorde de ti todos os dias. Mas hoje não sofro com isso. Até porque me lembro muitas vezes e cada vez com mais tranquilidade. Há dias em que me recordo por segundos, outros em que durante muito tempo e ao longo de todo o dia me lembro de ti. Não é constante, mas está presente. Ainda ontem tive um momento desses, fui levar o rapaz a um passeio de bicicleta, e do nada, lembrei-me de passar por ali contigo. Do gosto que tinhas em passear de carro, de conduzir.
Foi assim, costuma ser assim, do nada.
Beijos
Não é verdade que possa dizer que me recorde de ti todos os dias. Mas hoje não sofro com isso. Até porque me lembro muitas vezes e cada vez com mais tranquilidade. Há dias em que me recordo por segundos, outros em que durante muito tempo e ao longo de todo o dia me lembro de ti. Não é constante, mas está presente. Ainda ontem tive um momento desses, fui levar o rapaz a um passeio de bicicleta, e do nada, lembrei-me de passar por ali contigo. Do gosto que tinhas em passear de carro, de conduzir.
Foi assim, costuma ser assim, do nada.
Beijos
27 de janeiro de 2017
29 de agosto de 2016
Tempo
Com o tempo, falar de ti e sobre coisas que dizias ou fazias tornou-se natural, quase como um dado sem mágoa ou sofrimento, apenas com uma dor estranha na minha cabeça.
Para ele a tua imagem é cada vez mais a das fotografias, a tua voz uma recordação muito distante. Há tempos perguntou-me como tu eras... se eras divertida.... como eras....
Tentei explicar, descrever, recordar. É impossível dizer como seria, e como o terias influenciado até hoje, mas tenho a certeza serias companheira de todas as aventuras, vontades, descobertas e libertações de energia pura que o (vos) caracterizam.
Beijos.
Para ele a tua imagem é cada vez mais a das fotografias, a tua voz uma recordação muito distante. Há tempos perguntou-me como tu eras... se eras divertida.... como eras....
Tentei explicar, descrever, recordar. É impossível dizer como seria, e como o terias influenciado até hoje, mas tenho a certeza serias companheira de todas as aventuras, vontades, descobertas e libertações de energia pura que o (vos) caracterizam.
Beijos.
10 de julho de 2016
Esta semana
Esta semana falei de ti com conhecidos novos, amigos espero eu,........ com o tempo não sei se alguma vez saberei lidar, destingir e gerir isso dos amigos e conhecidos..........., amigos, dizia, espero. Gosto deles e sinto-os diferentes, como pessoas, nos princípios e atitudes.
E falei de ti porque me perguntaram, tentando saber o que tinha acontecido. Falei com naturalidade, penso, embora com ansiedade, e no meio da conversa senti que talvez fosse a última vez que contava a tua história, a nossa história, desta forma...... Não sei porquê, mas penso que com o tempo a história fica para trás, fica escondida, soterrada pelos dias. Com diz a Mafalda Veiga, .... o que a vida foi fazendo sem nos avisar, foi-se acumulando, em fotografias, em distâncias e saudade, numa dor que nunca acaba e faz transbordar os dias........
E senti, ou pensei, que dificilmente voltaria a contar a nossa história assim. E empenhei-me em contar bem, contar o melhor possível. Por ti, por ele, pela tua memória, e dando relevo ao que penso é relevante. Quem tu eras, a força que tinhas e a determinação com que viveste.
E às tantas disse. Passaram oito anos. É verdade. Oito anos...... e tanta coisa mudou e ficou estranha, conseguindo ser o que não era, e em alguns casos, nunca ser o que deveria.
E lá vou. Tentando perceber...... Beijos. Saudade.
E falei de ti porque me perguntaram, tentando saber o que tinha acontecido. Falei com naturalidade, penso, embora com ansiedade, e no meio da conversa senti que talvez fosse a última vez que contava a tua história, a nossa história, desta forma...... Não sei porquê, mas penso que com o tempo a história fica para trás, fica escondida, soterrada pelos dias. Com diz a Mafalda Veiga, .... o que a vida foi fazendo sem nos avisar, foi-se acumulando, em fotografias, em distâncias e saudade, numa dor que nunca acaba e faz transbordar os dias........
E senti, ou pensei, que dificilmente voltaria a contar a nossa história assim. E empenhei-me em contar bem, contar o melhor possível. Por ti, por ele, pela tua memória, e dando relevo ao que penso é relevante. Quem tu eras, a força que tinhas e a determinação com que viveste.
E às tantas disse. Passaram oito anos. É verdade. Oito anos...... e tanta coisa mudou e ficou estranha, conseguindo ser o que não era, e em alguns casos, nunca ser o que deveria.
E lá vou. Tentando perceber...... Beijos. Saudade.
12 de maio de 2016
Inevitável, penso........
Imaginava que assim fosse. Inevitável, penso.....
Com o tempo, com a vida, o dia-a-dia, as obrigações e distracções, com a forma como as coisas mudam, deixei de olhar para aqui como olhava.
Não sem um recorrente sentimento de refúgio que não é visitado.
Não sinto uma obrigação. Não é uma penitência.
É mais uma sensação de não visitar um sítio que me é querido e que visitei muitas vezes. Como um refugio de facto.
Se gostava de manter entradas frequentes.... sem dúvida, mas não as ter não me faz sentir mal, nem me faz sentir menos respeito, admiração, saudade.... apenas uma tristeza fina, igual à de não te ver, não saber de ti. A tristeza fina e aguda das memórias. A tristeza do que poderia ter sido, e não viste.
Gostava mesmo que o visses. Como cresce, como se debate com os dilemas de novas idades, em novas situações, em novos tempos de tecnologia desenfreada e apelos constantes. Gostava mesmo que o visses, e que eu pudesse ver o teu sorriso de amor por ele.
Beijos. Saudade.
Com o tempo, com a vida, o dia-a-dia, as obrigações e distracções, com a forma como as coisas mudam, deixei de olhar para aqui como olhava.
Não sem um recorrente sentimento de refúgio que não é visitado.
Não sinto uma obrigação. Não é uma penitência.
É mais uma sensação de não visitar um sítio que me é querido e que visitei muitas vezes. Como um refugio de facto.
Se gostava de manter entradas frequentes.... sem dúvida, mas não as ter não me faz sentir mal, nem me faz sentir menos respeito, admiração, saudade.... apenas uma tristeza fina, igual à de não te ver, não saber de ti. A tristeza fina e aguda das memórias. A tristeza do que poderia ter sido, e não viste.
Gostava mesmo que o visses. Como cresce, como se debate com os dilemas de novas idades, em novas situações, em novos tempos de tecnologia desenfreada e apelos constantes. Gostava mesmo que o visses, e que eu pudesse ver o teu sorriso de amor por ele.
Beijos. Saudade.
28 de janeiro de 2016
19 de novembro de 2015
Back to school
Uma das tuas lutas era esta. Sempre determinada.
Primeiro a Psicologia, depois a Gestão como recurso por não teres podido continuar na primeira.
Eras completamente determinada e presente com este tema. Sabias o que querias, mesmo sem ter grande apoio ou estímulo. A importância de ter um curso era clara para ti.
Não conseguiste terminar. Mas lembro-me claramente de um dia, a propósito de teres tido um excelente resultado numa prova, e teres concluído uma cadeira difícil, eu te dizer com muita sinceridade que para mim já eras doutora. Ou seja, que eras brilhante na tua determinação e por isso, nessa demonstração ao fazer essa cadeira difícil, tinhas provado ao mundo o teu valor. Não sei se tive um instinto de que não ias concluir o curso, que o cancro não te ia deixar acabar, mas senti necessidade de afirmar a minha confiança em ti e essa tua demonstração ao mundo do teu valor.
Lembro-me bem. Ao principio acho que não percebeste, mas depois ficaste feliz com a minha confiança e o meu elogio.
Regressei.
Tudo isto assim a propósito de eu ter regressado. Enfrentei o meu maior monstro, e tu sabes, de todos os monstros que ainda é possível enfrentar e que ainda não ganharam. O meu maior. O que vai perder ao fim de tantos anos.
Tu sabes o que isso significa. E como é profundo. Talvez saibas como ninguém o que me desgastou ao longo do tempo.
Queria então que soubesses. Porque voltei a enfrentar o monstro. e também por ti. Também com uma recordação boa e forte de ti, Forte pela tua força. Como sempre. Beijos.
Primeiro a Psicologia, depois a Gestão como recurso por não teres podido continuar na primeira.
Eras completamente determinada e presente com este tema. Sabias o que querias, mesmo sem ter grande apoio ou estímulo. A importância de ter um curso era clara para ti.
Não conseguiste terminar. Mas lembro-me claramente de um dia, a propósito de teres tido um excelente resultado numa prova, e teres concluído uma cadeira difícil, eu te dizer com muita sinceridade que para mim já eras doutora. Ou seja, que eras brilhante na tua determinação e por isso, nessa demonstração ao fazer essa cadeira difícil, tinhas provado ao mundo o teu valor. Não sei se tive um instinto de que não ias concluir o curso, que o cancro não te ia deixar acabar, mas senti necessidade de afirmar a minha confiança em ti e essa tua demonstração ao mundo do teu valor.
Lembro-me bem. Ao principio acho que não percebeste, mas depois ficaste feliz com a minha confiança e o meu elogio.
Regressei.
Tudo isto assim a propósito de eu ter regressado. Enfrentei o meu maior monstro, e tu sabes, de todos os monstros que ainda é possível enfrentar e que ainda não ganharam. O meu maior. O que vai perder ao fim de tantos anos.
Tu sabes o que isso significa. E como é profundo. Talvez saibas como ninguém o que me desgastou ao longo do tempo.
Queria então que soubesses. Porque voltei a enfrentar o monstro. e também por ti. Também com uma recordação boa e forte de ti, Forte pela tua força. Como sempre. Beijos.
22 de setembro de 2015
48
Seriam hoje.
A saudade hoje é difusa e macia como seda. Do nada, inesperado, surge um reflexo, um sinal, que desencadeia a memória, que desperta a saudade. Essa saudade suave.
É como se tudo estivesse bem, como se fosse quase uma memória boa, excepto o amargo de não estares aqui.
A saudade hoje é difusa e macia como seda. Do nada, inesperado, surge um reflexo, um sinal, que desencadeia a memória, que desperta a saudade. Essa saudade suave.
É como se tudo estivesse bem, como se fosse quase uma memória boa, excepto o amargo de não estares aqui.
15 de junho de 2015
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