Pela memória da Ana. Lembrar a sua força, o seu desígnio, a sua vontade.
A impressão que causava nas pessoas.
Algo de positivo, de encorajador.
Algo de veloz mas sentido, algo pensado mas com fim e objectivos.
Para a Ana, com saudade e amor.
Para a Ana. Conhecer-te foi o melhor que me aconteceu na vida. Transformaste-me, deste-me o melhor que tenho. Acompanhei-te nos melhores e piores momentos e no entanto, foste-te embora tão cedo.
Tentar Perceber
Ana. Queria tentar perceber o tempo que passou, e o tempo que continua a passar. Tentar perceber o que aconteceu. Porque aconteceu assim. Para onde foi tudo o que viveste, tudo o que sentiste, tudo o que fizeste. Tentar perceber como foi possível acontecer. Se conseguir, gostava de guardar algumas memórias para o futuro. Escrever por medo de esquecer coisas tuas e coisas nossas. Escrever por vezes sem saber muito bem porquê nem para quê, à espera que um dia, algo faça sentido. Beijo. Saudade.
1 de Fevereiro de 2012
31 de Janeiro de 2012
Compassion
We must each lead a way of life with self-awareness and compassion, to do as much as we can. Then, whatever happens we will have no regrets.
-- Dalai Lama
-- Dalai Lama
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23:40
30 de Janeiro de 2012
21 de Janeiro de 2012
Móveis
Hoje, na festa de anos da Mariana, quando me despedi dele, comentei.... - Vê lá se te portas bem, não faças aquelas cenas do costume.......
E ele - Eu ?..... Estás a falar daquela coisa de partir os móveis e assim ?.....
:-)
E giro ver que já alinha neste tipo de brincadeiras, e responde no momento.
E sabes.... tem um humor muito parecido com o que tu tinhas.
Beijo.
E ele - Eu ?..... Estás a falar daquela coisa de partir os móveis e assim ?.....
:-)
E giro ver que já alinha neste tipo de brincadeiras, e responde no momento.
E sabes.... tem um humor muito parecido com o que tu tinhas.
Beijo.
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23:33
15 de Janeiro de 2012
Golfinho
Uma das tuas mais importantes memórias, que ainda não constava aqui. Pelo menos neste formato.
Tinhas uma paixão pelos golfinhos.
Na minha viagem a Cabo Verde, trouxe-te um golfinho de pedra, preto e pequeno, que usavas num colar à volta do pescoço. Tínhamos trinta e poucos anos, e éramos uns palermas adolescentes.
Uma vez na praia, nas conversas de namorados, disseste-me que gostavas de mim como de um golfinho. Eu percebi que gostavas de mim como de um copo de vinho. Chorámos a rir durante horas com essa palermice. Mesmo muitos anos mais tarde, a frase servia para nos rirmos de nós.
Eram os nossos melhores momentos, quando ainda nada de mau se tinha passado, o tempo era nosso, e embora com dúvidas e angústias, vivíamos ao sabor do momento, com paixão.
Foram os nosso melhores momentos, eu diria.
Anos mais tarde disseste que nunca tínhamos tido tempo para namorar. Em parte é verdade, esse foi o verão, o único verão, em que namorámos de facto sem a pressão das doenças e o stress e dor dos tratamentos e efeitos secundários. Mas sempre achei que namorámos de facto. No entanto essa tua frase marcou a nossa relação, marcou-me a mim, e repeti-a muitas vezes.
Sempre adorei a forma e a lucidez como vias essas coisas que a mim me escapavam, por natureza, por feitio. Surpreendeste-me com essa frase, e com outras que vou deixando aqui. Beijo.
Tinhas uma paixão pelos golfinhos.
Na minha viagem a Cabo Verde, trouxe-te um golfinho de pedra, preto e pequeno, que usavas num colar à volta do pescoço. Tínhamos trinta e poucos anos, e éramos uns palermas adolescentes.
Uma vez na praia, nas conversas de namorados, disseste-me que gostavas de mim como de um golfinho. Eu percebi que gostavas de mim como de um copo de vinho. Chorámos a rir durante horas com essa palermice. Mesmo muitos anos mais tarde, a frase servia para nos rirmos de nós.
Eram os nossos melhores momentos, quando ainda nada de mau se tinha passado, o tempo era nosso, e embora com dúvidas e angústias, vivíamos ao sabor do momento, com paixão.
Foram os nosso melhores momentos, eu diria.
Anos mais tarde disseste que nunca tínhamos tido tempo para namorar. Em parte é verdade, esse foi o verão, o único verão, em que namorámos de facto sem a pressão das doenças e o stress e dor dos tratamentos e efeitos secundários. Mas sempre achei que namorámos de facto. No entanto essa tua frase marcou a nossa relação, marcou-me a mim, e repeti-a muitas vezes.
Sempre adorei a forma e a lucidez como vias essas coisas que a mim me escapavam, por natureza, por feitio. Surpreendeste-me com essa frase, e com outras que vou deixando aqui. Beijo.
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20:37
14 de Janeiro de 2012
Orgulho
Queres ouvir uma incrível do teu filho? Ontem no ténis espalhou-se ao comprido, aleijou-se mesmo. No caminho para casa perguntei-lhe como estava, se se tinha magoado. Disse-me que não.
- Sabes Pai, quando caímos, o que nos magoa mais é o orgulho......
- Grande frase, sim sr. Onde leste ?
Ele muito zangado - Então Pai, fui eu que pensei!!!!
- Sabes Pai, quando caímos, o que nos magoa mais é o orgulho......
- Grande frase, sim sr. Onde leste ?
Ele muito zangado - Então Pai, fui eu que pensei!!!!
@
22:03
13 de Janeiro de 2012
12 de Janeiro
Ana
Em 12 de Janeiro de 2005 ligaste-me para me dizer - "Ele voltou.....".
Choravas ao telefone, eu estava no trabalho. Saí e fui a chorar até casa, ao volante. Lembro-me de discutirem comigo no trânsito, um tipo com uma carrinha kangoo laranja de uma empresa qualquer, a buzinar e aos gritos comigo. Eu a encolher os ombros e as lágrimas a caírem-me pela cara.
"Ele voltou" era a pior noticia de todas. E tu esperaste pelo dia seguinte aos meus anos para levantares os resultados, saberes, e me dares a noticia. A pior noticia. A noticia de que de alguma forma estavas à espera.
Foi o inicio de mais uma batalha, uma longa luta, uma longa angústia, um desespero e um sofrimento indescritível para ti.
Esperaste para não me dares a noticia no meu dia de anos, e eu acho que nunca te agradeci, nem que reconhecia como tinha sido cuidadoso da tua parte. Obrigado.
Beijo
Sapo
Em 12 de Janeiro de 2005 ligaste-me para me dizer - "Ele voltou.....".
Choravas ao telefone, eu estava no trabalho. Saí e fui a chorar até casa, ao volante. Lembro-me de discutirem comigo no trânsito, um tipo com uma carrinha kangoo laranja de uma empresa qualquer, a buzinar e aos gritos comigo. Eu a encolher os ombros e as lágrimas a caírem-me pela cara.
"Ele voltou" era a pior noticia de todas. E tu esperaste pelo dia seguinte aos meus anos para levantares os resultados, saberes, e me dares a noticia. A pior noticia. A noticia de que de alguma forma estavas à espera.
Foi o inicio de mais uma batalha, uma longa luta, uma longa angústia, um desespero e um sofrimento indescritível para ti.
Esperaste para não me dares a noticia no meu dia de anos, e eu acho que nunca te agradeci, nem que reconhecia como tinha sido cuidadoso da tua parte. Obrigado.
Beijo
Sapo
@
21:35
7 de Janeiro de 2012
Os discos - Harvest Moon
Ana
Houve vários discos na nossa vida, mas concordavas com certeza que há um com um significado especial.
Namorámos horas na companhia deste disco.
Passámos os melhores momentos de paz a ouvir este disco, deitados no teu colchão, no chão da casa velha, com as mesas de cabeceira feitas de tijolos embrulhados em lenços. Os teus livros na prateleira de madeira, o rádio da sony que ainda hoje está comigo. Hoje já meio fanado e sem conseguir ler cds.
Colocávamos o disco em loop e ouvíamos as mesmas músicas sem nos cansarmos. Conversávamos, namorávamos e continuávamos a ouvir como se não nos cansasse nunca.
Chegamos a dizer um ao outro que um dia teríamos de começar a ouvir outras músicas :-)
Depois havia (e há) qualquer coisa nesta capa. Algo de fantasmagórico, de bonito e estranho ao mesmo tempo. Um espantalho ao luar? A figura do Neil Young estilizada sobre a paisagem de um lago? Que raio de roupas seriam aquelas? Mas lembro-me que gostavas da capa...
Foi um dos discos da nossa vida. Com tempo continuo a falar de outros.
Beijo.
Houve vários discos na nossa vida, mas concordavas com certeza que há um com um significado especial.
Namorámos horas na companhia deste disco.
Passámos os melhores momentos de paz a ouvir este disco, deitados no teu colchão, no chão da casa velha, com as mesas de cabeceira feitas de tijolos embrulhados em lenços. Os teus livros na prateleira de madeira, o rádio da sony que ainda hoje está comigo. Hoje já meio fanado e sem conseguir ler cds.
Colocávamos o disco em loop e ouvíamos as mesmas músicas sem nos cansarmos. Conversávamos, namorávamos e continuávamos a ouvir como se não nos cansasse nunca.
Chegamos a dizer um ao outro que um dia teríamos de começar a ouvir outras músicas :-)
Depois havia (e há) qualquer coisa nesta capa. Algo de fantasmagórico, de bonito e estranho ao mesmo tempo. Um espantalho ao luar? A figura do Neil Young estilizada sobre a paisagem de um lago? Que raio de roupas seriam aquelas? Mas lembro-me que gostavas da capa...
Foi um dos discos da nossa vida. Com tempo continuo a falar de outros.
Beijo.
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22:33
5 de Janeiro de 2012
House of games
Dr. Littauer:
- When you have done something unforgivable, Ill tell you exactly what to do. You forgive yourself.
@
00:02
2 de Janeiro de 2012
Dia (continuação)
E surpreendentemente este dia não foi mais fácil do que o de ontem.
Dou por mim sem gosto em estar com as pessoas. sem vontade de conversar, sem paciência.
Só queira estar sossegado e tranquilo. E hoje, mais uma vez, só consegui isso num curto espaço de tempo.
Queria estar sozinho. E isso não consegui nem um minuto, a não ser agora, a esta hora, e também por pouco tempo.
Enfim. Uma fase. Espero que seja uma fase.
Dou por mim sem gosto em estar com as pessoas. sem vontade de conversar, sem paciência.
Só queira estar sossegado e tranquilo. E hoje, mais uma vez, só consegui isso num curto espaço de tempo.
Queria estar sozinho. E isso não consegui nem um minuto, a não ser agora, a esta hora, e também por pouco tempo.
Enfim. Uma fase. Espero que seja uma fase.
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00:44
1 de Janeiro de 2012
31 de Dezembro de 2011
Sem reacção
Por incrível que pareça, hoje, mais de três anos depois de desapareceres daqui, de junto de nós, encontrei um antigo colega teu que me falou de ti com um sentimento e uma saudade surpreendente. Não esperava, e fiquei desarmado, sem reacção.
Valeram os elogios ao nosso rapaz e à sua postura e alegria.
Mas foi desgastante e cansativo. Fiquei com a sensação de que tinha chorado várias horas seguidas. Sem vontade de falar, com a garganta seca, com os olhos pesados, com vontade de dormir e deixar o tempo correr.
E no meio disso tudo, a confirmação de que mais uma vez me parece que ele está bem. Algo com que estavas tranquila, e com o qual eu fico tranquilo também, por teres tido razão nessa tua visão das coisas.
Beijo.
Valeram os elogios ao nosso rapaz e à sua postura e alegria.
Mas foi desgastante e cansativo. Fiquei com a sensação de que tinha chorado várias horas seguidas. Sem vontade de falar, com a garganta seca, com os olhos pesados, com vontade de dormir e deixar o tempo correr.
E no meio disso tudo, a confirmação de que mais uma vez me parece que ele está bem. Algo com que estavas tranquila, e com o qual eu fico tranquilo também, por teres tido razão nessa tua visão das coisas.
Beijo.
@
20:20
30 de Dezembro de 2011
2012
Para procurar acabar o melhor possível este ano, e olhar para 2012 com outra determinação (seguindo um dos três votos (as resoluções, como dissemos os dois) discutidos com o rapaz para o próximo ano), uma foto de que com certeza gostarias muito. O gordo do urso polar a entrar de chapa na água. Beijos. Saudade. Descansa. Nós vamos continuar aqui, da melhor forma que soubermos.
@
08:56
29 de Dezembro de 2011
Crescente
Ana.
Não sei se pelas férias que estou forçadamente a gozar agora, se pelos dias de sol magnífico, se pela presença cada vez mais divertida e companheira dele e dos seus amigos, estes dias trouxeram alguma paz.
Com saudades tuas, com saudades do meu Pai, em especial nesta altura do ano que tinha tanto significado para ele, mas como alguma paz tranquila e crescente sobre o resto, vou passando estes dias até ao ano que vem. Sempre, mesmo que não querendo, procurando acreditar que o ano de 2012 vai ser um ano de viragem.
Até recordei como identificar a estrela polar. Magnifico :-).
Beijo.
Não sei se pelas férias que estou forçadamente a gozar agora, se pelos dias de sol magnífico, se pela presença cada vez mais divertida e companheira dele e dos seus amigos, estes dias trouxeram alguma paz.
Com saudades tuas, com saudades do meu Pai, em especial nesta altura do ano que tinha tanto significado para ele, mas como alguma paz tranquila e crescente sobre o resto, vou passando estes dias até ao ano que vem. Sempre, mesmo que não querendo, procurando acreditar que o ano de 2012 vai ser um ano de viragem.
Até recordei como identificar a estrela polar. Magnifico :-).
Beijo.
@
11:40
26 de Dezembro de 2011
25 de Dezembro de 2011
O que seria
Hoje por momentos imaginei-me num Natal de outros tempos e tentei extrapolar o Natal de hoje.
Não é difícil imaginar. Até pensei nos irmãos que ele teria. Nos bebés novos que circulariam por aqui, com as suas chuchas as suas birras as suas manhas os seus risos, e aquele irradiar de alegria de que só os bebés são capazes em determinados momentos.
Imaginei-te severa como sempre, e extremamente organizada como sempre. Com tudo num brinco e bem pensado. Pensei que estarias mais velha, com mais cabelos brancos que esconderias com aquele jeito que tinhas para tratar o teu cabelo. O teu lindo cabelo preto, liso e longo.
Imaginei assim o que seria um Natal contigo cá, se o percurso tivesse sido diferente.
Com certeza eu também seria diferente. Com certeza que algumas coisas não funcionariam bem, e em outras poderia ser melhor. Mas sou capaz de imaginar a nossa cumplicidade. O nosso carinho. As nossas birras e zangas. O teu mau feitio e a minha hipersensibilidade.
E imagino outra coisa.
Imagino a presença de todos em muitos Natais seguidos. Natais em que estavam todos cá, e eu estava, nós estávamos, seguros e tranquilos, dentro desse espaço.
Mesmo isso pouco existiu. E hoje é impossível. Sem ti e sem o meu Pai.
Seriamos todos diferentes, e se lá estivéssemos provavelmente não valorizávamos o que tínhamos. Mas é assim a nossa condição. Sempre à procura de algo, sem compreender bem o que se tem a cada momento.
Imaginei-te, por fim, como se vê alguém numa fotografia. Tranquila e estática a olhar para mim. Com um sorriso quente e suave, como quanto te conhecia e sorrias para mim com sinceridade.
Beijo.
Não é difícil imaginar. Até pensei nos irmãos que ele teria. Nos bebés novos que circulariam por aqui, com as suas chuchas as suas birras as suas manhas os seus risos, e aquele irradiar de alegria de que só os bebés são capazes em determinados momentos.
Imaginei-te severa como sempre, e extremamente organizada como sempre. Com tudo num brinco e bem pensado. Pensei que estarias mais velha, com mais cabelos brancos que esconderias com aquele jeito que tinhas para tratar o teu cabelo. O teu lindo cabelo preto, liso e longo.
Imaginei assim o que seria um Natal contigo cá, se o percurso tivesse sido diferente.
Com certeza eu também seria diferente. Com certeza que algumas coisas não funcionariam bem, e em outras poderia ser melhor. Mas sou capaz de imaginar a nossa cumplicidade. O nosso carinho. As nossas birras e zangas. O teu mau feitio e a minha hipersensibilidade.
E imagino outra coisa.
Imagino a presença de todos em muitos Natais seguidos. Natais em que estavam todos cá, e eu estava, nós estávamos, seguros e tranquilos, dentro desse espaço.
Mesmo isso pouco existiu. E hoje é impossível. Sem ti e sem o meu Pai.
Seriamos todos diferentes, e se lá estivéssemos provavelmente não valorizávamos o que tínhamos. Mas é assim a nossa condição. Sempre à procura de algo, sem compreender bem o que se tem a cada momento.
Imaginei-te, por fim, como se vê alguém numa fotografia. Tranquila e estática a olhar para mim. Com um sorriso quente e suave, como quanto te conhecia e sorrias para mim com sinceridade.
Beijo.
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23:54
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