30 de julho de 2012

Livros

Por falar em livros.
O nosso rapaz surpreendeu-me mais uma vez.
Houve uma feira do livro na escola. Pegou no seu dinheiro, compro-me o livro de memórias do Sting.
Fiquei quase sem palavras, mais uma vez.
Porque mais uma vez o nosso rapaz me surpreendeu pela iniciativa, pela ideia, pela motivação, pela sensibilidade, pela inteligência no fundo, com que fez tudo.
Para mim há sempre qualquer coisa de místico nestes gestos dele. Há qualquer coisa de invulgar, de inalcançável no gesto.... que acho magnifico, me surpreende e simultaneamente me enche de orgulho.
Sabes o que quero dizer? Foi tudo algo pensado por ele. Mas depois, em alguns momentos, faz-me lembrar de ti e dos teus gestos semelhantes nos anos que vivemos juntos...... Sei que é estranho dizer, mas é como se por pequenos instantes estivesses aqui, connosco, sentisses e aprovasses estes gestos fantásticos. Difícil explicar....
Não lhe quero tirar todo o mérito que tem, toda a importância de um gesto que não se ensina, está dentro, só pode estar dentro dele. Um gesto magnifico. Pela simplicidade mas também pela profundidade e grandeza.
Gostava que visses estes momentos. Tenho um orgulho imenso no nosso filho. E tenho a certeza que terias também. 

Férias

Férias com os nossos sobrinhos que adoram vir até cá. Ela sempre muito compenetrada, ele sempre muito aéreo e divertido.
O nosso rapaz nas núvem porque tem companhia. Sempre na busca de companhia e na ânsia do que fazer a seguir. Nisso saiu completamente a ti.
Pergunto-me muitas vezes como seria tudo isto contigo cá. a comandar, a organizar. Imagino-te a tratar de tudo e a por tudo a marchar. Eu mais relax exactamente por assumires esse papel.
Não estás, mando eu marchar, mas não é com certeza a mesma coisa que seria. Nem eles marcham tão bem, nem eu mando tão bem. Mas vou improvisando, eles vão ganhando autonomia com a idade, eu vou tendo tempo para ler, finalmente,..... e assim se passam os dias. Beijo.

29 de julho de 2012

28 de julho de 2012

Hawaiian Rules

Algo me fez lembrar de ti. Talvez a simplicidade e humor das frases.
Seria capaz de apostar que ias gostar, sobretudo da última :-)
Beijo

Never judge a day by the weather
The best things in life aren't things
Tell the truth - there's less to remember
Speak softly and wear a loud shirt
Goals are deceptive - the unaimed arrow never misses
He who dies with the most toys - still dies
Age is relative - when you're over the hill, you pick up speed
There are two ways to be rich - make more or desire less
Beauty is internal - looks mean nothing
No Rain - No Rainbows

-- Kimo's Hawaiian Rules

Coisas de que gostarias


27 de julho de 2012

Más recordações

No dia em que lhe disse que tinhas morrido, um dos piores dias da minha vida, quando lhe dei a noticia, da forma que podia e sabia, da forma mais suave que encontrei para dar uma noticia horrível e brutal, ao ouvir, ele encolheu-se como um feto, disse apenas - não!, e chorou..... fiquei sem saber o que fazer por uns segundos, como se não lhe pudesse tocar... impotente, perdido, desconsolado e só.... e depois desses segundos horríveis, longos, enormes, de completa impotência e angústia, chamei-o para o meu colo e dei-lhe o abraço mais terno que consegui, pelo maior tempo, com a maior expressão que consegui...... Segurei-o, reconfortei-o e chorei com ele.

Dei-lhe essa noticia no parque de estacionamento do cemitério, perto da casa dos meus Pais. Não escolhi o sítio. Aconteceu assim. Não queria dizer-lhe muito mais tarde, precisava de lhe dizer se não rebentava a cabeça de tanto pensar. Não queria nem podia esperar mais. Foi ali como podia ter sido noutro sítio. Só queria que fosse uma conversa entre nós dois.

E assim foi, como te descrevo aqui.
Anos mais tarde, um dia ao passar pelo mesmo sítio, ele fez-me o seguinte comentário que me deixou petrificado; - Tenho más recordações deste sítio.
Gelei. Quase sem saber o que dizer.
Disse apenas; - Acredito.

26 de julho de 2012

Enfrentar

No outro dia, cansado de navegar aleatoriamente a web, encontrei uma frase que dizia algo mais ou menos como - Há que aprender a esperar que as coisas se resolvam. Porque tudo acabará por se resolver de uma forma ou de outra.
Não sei se é verdade. Mas é verdade que há coisas que demoram.
E não sei muita coisa. Só sei que demora de facto. E custa.

Vou hoje à quinta, enfrentar de novo o que fazer. Pensar de novo que sentido um dia poderá aquilo ter.
A quinta era um projecto teu..... às vezes, parece-me hoje, servia quase como um escape. Quase uma determinação de fazer algo de bom e que sabias eras capaz. Uma coisa que viveste, sentiste e imaginaste talvez como mais nada.
E hoje, é um espaço triste a abandonado.
E eu não sei o que pensar, quanto mais o que fazer.
Será que um dia, também isto, se vai resolver?

25 de julho de 2012

Sitios de que gostarias


Stress Test

- Pai, o que é esta coisa do stress teste? Tem mesmo a haver com stress...?
- É uma forma de avaliar os Bancos. Perceber, no mundo de hoje, se os bancos......
- Mas é mesmo assim às pessoas... para ver o stress das pessoas?
- Não... eh eh eh! É para ver como funcionam os bancos. Não é às pessoas, é às empresas. No fundo é uma forma.....
- Ah! Ainda bem! Se fosse às pessoas tu ganhavas a todos....

Lamento

Há um tema sobre o qual tenho escrito de tempo a tempo, em rascunhos que depois não termino. Sobre a forma perdida como me sinto às vezes.
O desespero e angústia que sinto, tem que ver com a minha maneira de ser, e isso não interessa nada aqui, mas foi invadido pela dúvida de sentir se consigo estar a fazer tudo bem. Um sentimento de angústia e saudade, tristeza e desespero.
Desde que morreste que me pergunto por vezes - como foi possível ter voltado a rir? Como foi possível permitir que os outros se riam? Como foi possível esquecer nem que seja por um instante só, o sofrimento que viveste e que eu senti nos dias juntos. Meses e meses de altos e baixos, meses e meses de angústia, de esperanças vãs em melhoras impossíveis.
Os medicamentos experimentais, as esperanças dos reforços do sistema imunitário, o teu lindo cabelo a desaparecer, a tua boca a deformar-se, a tua cara, o teu corpo, a inchar e transformar-se, as dores que sentias, o cansaço, a tristeza. E depois a tua morte, fria e brutal, numa cama horrível de um hospital horrível.....

Quando penso nisso tudo, e quando sou esmagado por essa memórias, sinto quase como que uma revolta em mim, que me diz que tenho de sair deste sentimento, principalmente por ele. Que não posso fica aqui, que não adianta, que não resolve. Mas ainda assim.........
Ainda assim gostava de saber mais coisas, de interpretar melhor as coisas, de perceber melhor o que se passou e passa. Queria perceber melhor este sentimento de não ter feito tudo bem.
E lamento não conseguir expressar tudo e clarificar tudo.

Queria ter algumas certezas que não tenho. Queria abrandar para pensar, para sentir, para decidir que rumo tomar. E sinto que estes anos não tiveram rumo. Tiveram uma espécie de deriva, centrada nele e na necessidade de encontrar coisas que lhe agradem e que o façam crescer melhor. Mas de resto tudo foi uma deriva. E o sentimento, agora, neste momento, é que a deriva se iniciou de uma forma que até pareceu interessante, e depois perdeu o pé, e foi transformada em mais angústia. E é essa angústia adicional que lamento. E que parando para ver, me faz senti mal comigo próprio.
Talvez não soubesse fazer melhor. Mas podia e devia pensar mais antes de viver desta forma desordeira e por arrasto. Mantenho a sensação de que o futuro dele está salvaguardado, e que da melhor forma que sei e posso, o tenho protegido. Salva-se isso.

Mas queria de facto outra determinação. queria de facto outra paz. E a tua ausência nunca me poderá trazer isso.... eu sei... mas gostava de conseguir perceber melhor as coisas.
Sentir algo que não sinto,....... sentir algo que sei é impossível.
Sentir que percebes e concordas. Que me perdoas as falhas, e concordas com as acções.
Lembras-te dos sinais? Beijo. Saudade.

18 de julho de 2012

Tempo

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

-- Fernando Pessoa

17 de julho de 2012

Momento

Sempre me perguntei se se poderiam definir os momentos marcantes na vida. Como em tudo.
Como aquela velha ideia de ser possível identificar o momento em que o mundo entrou em colapso, o momento de viragem, em que o caos ganha à ordem, em que a poluição que geramos inicia a cavalgada descontrolada e sem retorno, que nos conduzirá à extinção. O momento em que o mundo perde definitivamente o equilíbrio, e a natureza, como a conhecemos, inicia o caminho do fim.
Sempre perguntei se isso seria possível. E o que faria se pudesse parar o momento e reverte-lo.
Vem isto a propósito do quê?
De uma ponte e de me ter recordado de ti.
De uma ponte que estabeleci hoje, com a vida do nosso rapaz.
Sabes, ele está muito giro, cresceu, emagreceu, perdeu um pouco, mas ainda não totalmente, as feições de bebé que conheceste. Está alto para a idade. Ainda tem umas bochechas e uma barriguita de menino, mas já se nota no corpo, e na postura, um rapaz a aparecer. Um homem em formação.
1,84m, mais ou menos 5 cm, dizia a avaliação da FMH deste ano.
E embora tenha visto e comentado este facto várias vezes, hoje, no ténis (outra vez o ténis) com a roupa nova, com muito estilo, com muita graça, mostrava um ar compenetrado de um adolescente a despontar. Com graça. Com pinta. Gostava que o visses.
E achei que hoje, podia ser um momento desses. Um momento de definição. O momento, por absurda que seja a minha observação, em que o nosso rapaz entrou na adolescência.
Seria uma adolescência que tu adorarias viver, sem dúvida. Na tua forma aventureira, divertida, companheira, que tinhas. Seria como que uma segunda adolescência para ti, penso eu.
E hoje senti esta vontade de te escrever.
Que permanece.
A vontade de tentar perceber, o que aconteceu e está a acontecer.
Beijo. Sapo.