03/02/2009
Equilíbrio
Quero simultaneamente tudo e nada. Quero atenção e sossego, quero solidão e companhia. Quero também sentir que estou por dentro e que pertenço, mas ao mesmo tempo ver-me de fora, para conseguir avaliar-me.
Preciso de me focar nos outros e não em mim. Mas é difícil, não consigo.
Hoje consegui traçar uma linha. Uma linha difícil mas que tem de ser traçada. Que divide o meu desejo e o que sinto. Que separa o que queria do que consigo ter.
Parando com as dificuldades de expressão, e com o medo.
Queria colo, e essa é a melhor expressão possível. E também a mais correcta. Mas para ter um pouco disso tenho de abrir mão de tanto. Não consigo estar com ninguém como queria, com sossego e companhia. Estou com alguém e com mais 5, 6, 20, uma centena, montes de gente. E isso para mim é uma violência. Não quero mais essa violência. A maioria dessas pessoas não me diz nada. São pessoas simpáticas sem dúvida, mas não me são nada, nem sei bem o que fazem aqui, nem o que faziam no funeral na Ana.
Mas estiveram lá. Para quê? E porquê?
Eu não as quero. Peço-lhes desculpa mas não as quero, não as desejo. Não tenho nada contra elas, só que não me dão nada de bom, e não têm sequer culpa disso.
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